domingo, 29 de novembro de 2009

Emoções finais no Brasileirão: ao Cruzeiro todas as honras

E o Brasileirão, hein? Ficou mesmo para a última rodada, no próximo domingo, a decisão sobre qual time levantará a taça 2010.

Os jogos de hoje embolaram ainda mais a tabela de classificação, tanto no topo quanto na rabeira.

Na ponta, São Paulo levou de 4 a 2 do Goiás, no Serra Dourada, e perdeu a liderança para o Flamengo, que fez o dever de casa ao bater o Corinthians em pleno Pacaembu, por 2 a 0. Para completar a amargura do tricolor paulista, o Internacional virou para cima do Sport Recife, por 2 a 1, na Ilha do Retiro, e o Palmeiras deu de 3 a 1 no Atlético Mineiro, no Palestra Itália. Resultados que jogaram o São Paulo para a 4ª colocação, atrás ainda de Inter, 2º, e do Verdão, 3º. Todos têm 62 pontos e, portanto, são candidatíssimos ao título. E o Cruzeiro... Bem, o Cruzeiro deu de 4 a 1 no Coritiba e subiu uma posição à frente do Galo.

Na zona de rebaixamento, Sport Recife e Náutico já caíram. As duas vagas restantes serão supridas por Santo André, Botafogo, Coritiba, Vitória ou Fluminense.

Mas o que deixou Minas em polvorosa foi mesmo o desempenho de seus dois representantes no campeonato. Enquanto o Cruzeiro goleou o Coritiba por 4 a 1, no Mineirão, o Atlético acumulou a 4ª derrota seguida, dessa vez para o Palmeiras.

Sobre isso, valem dois comentários.

O primeiro é que o Cruzeiro abafou. Foi mais longe que o mais otimista torcedor pensaria, sobretudo após a perda da Libertadores 2009, em pleno Mineirão, no último mês de julho. A Raposa perdeu o rumo, enfrentou várias crises. Uma delas com o antipático Kléber. O atacante que, nas vésperas de jogo com o Palmeiras, visitou a Mancha Verde para festejar. O que não se sabe até hoje. Resultado: o Cruzeiro perdeu por 2 a 1, numa partida cheia de erros de arbitragem, Kléber foi vaiado, mostrou-se descontente no time e antecipou cirurgia no púbis, que o tirou em definitivo do Brasileirão deste ano.

Mas não é que o Cruzeiro, após a saída de Kléber, melhorou? Começou o Returno com a bola toda, venceu quase todas fora de casa e, não fosse deslizes imperdoáveis como permitir o empate a Vitória - que fez dois gols nos acréscimos -, Avaí e Grêmio nos minutos finais, os celestes poderiam, sim, conquistar o título.

Sem contar que, atualmente, o time dirigido pelo técnico Adilson Batista está quebrado, com jogadores aos montes no Departamento Médico. Dispõe de apenas dois atacantes, sem reservas. Dificuldade que, para alegria da torcida, trouxe à baila o talento de Eliandro, buscado às pressas nas categorias de base. Por essas e por outras é que o Cruzeirão do meu coração merece todo aplauso do mundo. Tem pinta e pose de campeão. Ainda que não chegue ao G-4.

O segundo comentário é sobre o arquirrival Atlético. O técnico Celso Roth, que chegou meio desacreditado, inclusive por parte da torcida alvinegra, levou o time às alturas. Os méritos do treinador, aliás, vão além porque, segundo grande parte dos comentaristas de rádio, principalmente, o Galo não possui lá um elenco tão competitivo, a ponto de disputar o título.

Mas no futebol não há lógica nenhuma e a qualidade dos times deixou muito a desejar. Apesar das gritantes limitações, a diretoria alvinegra fez contratos de peso. O maior deles é, sem dúvida, o craque Diego Tardelli, sério concorrente a artilheiro da competição. Fez dupla com Éder Luiz e infernizou a defesa dos adversários. Depois veio Ricardinho, um lançador excepcional, que faz a diferença em qualquer clube que atue.

Só que o Atlético voltou a sofrer de um mal terrível, que o persegue há tempos. Nada, nada, nada e... morre na praia. Piorou de rendimento justo na fase decisiva do Brasileirão. Não soube, por exemplo, administrar a derrota para o Flamengo que, a meu ver, sacramentou o fracasso do time de Roth. Depois da queda diante do rubro-negro, no Mineirão, o Galo perdeu o rumo por completo. Não se encontrou até hoje. Não bastasse dar adeus ao título, que não comemora desde 1971, também não disputará a Libertadores 2010.

A Celso Roth, entretanto, a torcida do Galo deve reverências mil. Provou ser bom naquilo que faz. Tanto que manteve o time no topo durante oito rodadas, todas no 1º turno.

Foto: Jorge Gontijo/EM/D.APress

Público e privado. Quando é que os dois se fundem?

Quando é que a vida privada de uma pessoa pública vira notícia? Bem, a linha que separa o público do privado é tênue. A rigor, o primeiro mistura-se ao segundo apenas quando interfere no exercício da função ocupada pela liderança em questão.

Esse entendimento, no entanto, esbarra em diferentes interpretações. Nos Estados Unidos, por exemplo, um presidente pode perder o mandato porque traiu a esposa. Quem não se lembra da enrascada em que se meteu o democrata Bill Clinton, quando manteve "affair" com a secretária Mônica Lewinsk e quase foi à bancarrota política? No Brasil, dificilmente o chefe da nação correria risco de impeachment, caso fosse descoberto adultério que cometera ontem ou num passado mais distante. Enquanto no Tio Sam vigora a chamada a moral puritana, na Terra de Santa Cruz os cidadãos não costumam dar muita importância a esse tipo de atitude. Vale a competência de gerir bem ou não a coisa pública. O que ele faz ou não em sua casa pouco importa, desde que não afete suas decisões enquanto chefe de estado.

Se fosse comprovado que o presidente Lula, como quer fazer entender o ex-preso político e um dos fundadores do PT, César Benjamin, em artigo publicado na Folha de S. Paulo, de fato tentou violentar um rapaz preso na mesma sala do DOPS, na década de 80, o imbróglio cairia tal qual bomba no país. E poderia, sim, até redundar na queda de Lula.

O problema são os frágeis pilares da denúncia, seriíssima, e o tratamento irresponsável dado ao episódio por veículo de comunicação do porte da Folha e vários outros, como Veja, que exploraram e ainda exploram o assunto de forma sensacionalista. A revista do Civitta, aliás, fez a matéria e somente no finalzinho, no finalzinho mesmo, colocou o desmentido do alvo da suposta tentativa de violência sexual. João Batista dos Santos, ex-metalúrgico que morou e militou em São Bernardo, teria dito a um amigo: "isso tudo é um mar de lama. Não vou falar com a imprensa. Quem fez a acusação que a comprove”.

E agora? Pelo andar da carruagem, esse César Benjamin ficou mais para bobo da corte do que qualquer outra coisa.

A conclusão mais correta acerca do fato, até o momento, é simples: coisas da política odiosa que se pratica no Brasil e o preconceito social absurdo de certos setores da sociedade, que não aceita que um sindicalista presida, e bem, o gigante da América do Sul. Isso provoca a ira da mídia, que trata de forma desigual os acontecimentos. Para uns, oferece manto generoso para encobrir descalabros. Para outros, traz à luz inverdades como se verdades fossem. Só isso.

O mar de lama midiático

Sem qualquer respeito pelo cidadão brasileiro, a grande mídia nacional esbalda-se num mar de lama sem fim. Tudo para evitar que o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, faça seu sucessor, no caso sucessora, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata ao Palácio do Planalto.

Longe de ser um santo, pois nenhum ser humano pode, em sã consciência, gabar-se de sê-lo, Lula veio das camadas mais pobres. Ex-retirante nordestino, ex-torneiro mecânico, com escolaridade ínfima: até a 4ª série primária e, para completar, líder sindical.

Uma pessoa assim não poderia mesmo ganhar o apreço de setores arcaicos da sociedade. De pessoas que, em sua grande maioria, nasceram em berço de ouro e continuam a esbaldar arrogância, arrotar caviar. Como se um sobrenome tivesse o poder de abafar a podridão que, não raro, abocanha suas vidas "sedutoras" na noite mais tenebrosa, no apagar dos holofotes encarregados de construir biografias mentirosas, a fim de viabilizar ambiciosos projetos políticos. Na contramão de todas as previsões levadas a cabo há sete anos, Lula conseguiu reeleger-se e carrega um dos mais altos índices de popularidade da história.

Mas este post visa sobretudo bater numa tecla: a diferença de tratamento que os veículos de comunicação dão às personalidades. Enquanto uns recebem - pelo generoso quinhão financeiro que liberam e pelo "status quo" que representam - deles o aconchego da blindagem vergonhosa, quando escândalos abalam "ilibadas" condutas, outros são calorosamente esbofeteados em público, sem a mínima chance de defesa.

A Folha de S. Paulo, por exemplo, não se furtou a publicar artigo de César Benjamin, ex-preso político e um dos fundadores do PT, hoje desafeto de Lula. Benjamin relata que o presidente teria tentado violentar um rapaz do Movimento de Emancipação do Proletáriado (MEP), na década de 80, época em que esteve preso no DOPS de São Paulo. Pior. A confissão partira do próprio Lula, numa conversa informal, um almoço.

Ora, uma acusação de tal calibre mereceria, no mínimo, averiguação séria, antes de ser alardeada por um jornal do porte da Folha. Afinal, trata-se do presidente da República, a quem não é permitido deslizes desse tipo. Atitude, aliás, que foi rigorosamente seguida em episódio recente envolvendo um pré-candidato da oposição. O descalabro a que me refiro teve grande repercussão apenas na internet e, mesmo assim, em blogs independentes. O sortudo que, de vilão passou a vítima num passe de mágica, contou com a conivência inclusive de blogs acessadíssimos, que apenas publicaram o desmentido e pronto, caso encerrado. O silêncio vigora até hoje.

Pois bem. A revista Veja, claro, até para fazer jus às ideias ultradireitistas que defende, publicou matéria sobre o imbróglio. No finalzinho do texto, o desmentido. Que estratégia, hein! Abaixo, a transcrição:

"Por liderar greves no ABC paulista, Lula passou 31 dias preso no Dops, em São Paulo, em 1980, com outros sindicalistas. VEJA ouviu cinco de seus ex-companheiros de cela. Nenhum deles forneceu qualquer elemento que confirme a história de Benjamin. Eles se recordam, porém, de que havia na mesma cela um militante do Movimento de Emancipação do Proletariado (MEP). “Tinha um rapaz com a gente que se dizia do MEP. Tinha uns 30 anos, era magro, moreno claro. Eu não o conhecia do movimento sindical”, diz José Cicote, ex-deputado federal. “Quem estava lá e não era muito do nosso grupo era um tal João”, lembra Djalma Bom, ex-vice-prefeito de São Bernardo do Campo. “Eu me lembro do João: além de sindicalista, ele era do MEP mesmo”, conta Expedito Soares, ex-diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. O João em questão é João Batista dos Santos, ex-metalúrgico que morou e militou em São Bernardo. Há cerca de três anos, ganhou uma indenização da Comissão de Anistia e foi viver em Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo. Por meio do amigo Manoel Anísio Gomes, João declarou a VEJA: “Isso tudo é um mar de lama. Não vou falar com a imprensa. Quem fez a acusação que a comprove”."

Estadão faz o que Folha deveria ter feito

Do Estado de S. Paulo: - "Isso é coisa de psicopata, só a psicopatia pode explicar", disse nesta sexta-feira, 27, o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, ao comentar acusações feitas pelo cientista político e ex-militante petista César Benjamin contra o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, Benjamin afirmou que Lula tentou abusar sexualmente de um colega de cela, quando esteve preso no Dops, em 1980.

Carvalho também relatou que o presidente ficou "triste" ao ler o artigo. "Ele disse que é uma loucura", afirmou o assessor. "Não entendi porque a Folha publicou aquilo. Se a imprensa for por esse caminho é muito ruim", completou.

Benjamin ajudou a fundar o PT e se manteve ligado ao partido até 1995. No artigo publicado ontem, ele se dedica sobretudo ao relato da convivência com os presos nos anos em que ficou encarcerado, na ditadura militar, por causa de suas posições políticas. Enfatiza que, apesar de ser muito jovem e de ter convivido com presos comuns, nunca sofreu nenhum tipo de abuso sexual. A ênfase é uma espécie de contraponto ao que vem a seguir, sobre Lula.

O autor narra um encontro que teria tido, em 1994, com Lula, então em campanha. Na ocasião, o ex-líder sindical lhe teria feito perguntas sobre a prisão e revelado que não suportaria o isolamento - por não conseguir viver sem relações sexuais com mulheres.

Em seguida, Lula teria narrado a tentativa de violação sexual do companheiro de cela. O trecho do artigo de Benjamin é claro: "Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de ‘menino do MEP’, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do ‘menino’, que frustrara a investida com cotoveladas e socos." E prossegue: "Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o ‘menino do MEP’ nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas".

A conversa, segundo Benjamin, teria ocorrido durante um almoço, com a participação de mais três pessoas: o publicitário Paulo de Tarso Santos, que coordenava campanha; um segundo publicitário, cujo nome o autor não recorda; e um americano, também não nomeado - que não entendia português.

Procurado para falar sobre o artigo, o publicitário Paulo de Tarso Santos respondeu com uma nota, na qual confirmou o almoço, em caráter informal, e nomeou o americano. Era o publicitário Erick Ekwall, indicado pelo empresário Oded Grajew para ajudar na campanha. Disse, no entanto, não lembrar da presença de Benjamin no almoço, assim como qualquer comentário sobre o tema citado. "Não compreendo qual a intenção do articulista em narrar os fatos como narrou (como disse, sequer me lembro de sua presença na mesa)", escreveu.

Lula foi detido pela polícia política no dia 19 de abril de 1980 e libertado no dia 20 de maio. Nesses 31 dias chegou a dividir a cela com até 18 pessoas. Um de seus companheiros mais jovens, com 23 anos, era o atual presidente do PSTU, José Maria de Almeida - na época militante da Convergência Socialista. Ontem, após ler o artigo, ele comentou: "Tenho motivos para atacar o Lula. O seu governo é uma tragédia para a classe trabalhadora. Mas isso que está escrito não aconteceu. O Benjamim viajou na maionese."

MEP era a sigla do Movimento de Emancipação do Proletariado, dissidência do Partido Comunista Brasileiro (PCB) que optou pela luta armada contra a ditadura. Entre seus militantes encontrava-se o novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, que ontem classificou o artigo de "repugnante".

Na opinião do ex-dirigente sindical Djalma Bom, que esteve ao lado de Lula na prisão, seria impossível uma tentativa de violência sexual ter passado despercebida. "O Benjamin enlouqueceu. Ou entendeu errado alguma conversa do Lula".

O vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Enilson Simões de Moura, o Alemão, também estava na cela. Após classificar o comentário de Benjamin como "absurdo", comentou: "O que eu lembro é que, brincando com uma bola de basquete, Lula acertou sem querer a cara do rapaz do MEP". Não lembrou, no entanto, nome do rapaz.

Com reportagem de Roldão Arruda, leonêncio Nossa, Felipe Werneck e Marili Ribeiro

Do blog Vi o Mundo

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Thiago pede ajuda

Recebi o e-mail abaixo agora há pouco:

Venho contar-lhes a historia do pequeno Thiago, de apenas 7 anos, morador da zona rural de Pintópolis-MG, e que, por uma picada de escorpião e falta de atendimento médico, sofreu sequelas permanentes. Ele se alimenta por sonda, e utiliza fraldas, ficou 62 dias internado e hoje mora em uma casa alugada graças à solidariedade das pessoas.

Thiago hoje está em estado vegetativo. Seus pais o carregam nos braços para tratar o pequeno em uma faculdade de MONTES CLAROS. Por solidariedade, ganhou sessões de fisioterapia e atendimento médico. Desde o ocorrido, vive a grande dificuldade dos pais que tanto o amam.

Por isso, aproveitando o espírito natalino que se aproxima e presenciando a dificuldade desta familia, venho perdi-lhes que nos ajude, ele precisa de uma cadeira de rodas (especial), fraldas (PESO 15 Kg) e leite NUTREN JUNIOR (BAUNILHA) (R$32,00 e dura apenas dois dias), produtos de higiene pessoal,móveis usados pois a familia deixou seus poucos pertences na sua cidade natal (mesa, cadeira, TV, para que os pais tenham um pouco de conforto em casa).

Precisamos da sua ajuda!!!!!!!!!

karina Bicalho = kvbicalho@hotmail.com (38) 9963-7186 (todo o dia) ou (38) 32136025 (a partir das 18:00).
Pais de Thiago: Modestio/Maria do Carmo (38) 9809-7640
Tabatha:
tabatha.prates@hotmail.com

Nota do blog: O Brasil da desfaçatez, do cinismo político é esse, com pessoas obrigadas a viver à mercê da sorte.

"Vira-latas" continuam defesa de política externa minimalista

Do blog Vi o mundo

:

TENDÊNCIAS/DEBATES

A paz desejável

* Marco Aurélio Garcia

Quem governa um Brasil, ou quer governar, sabe que há temas de política externa que não podem ser objeto de oportunismo eleitoral NO ESPAÇO de duas semanas, o Brasil recebeu as visitas dos presidentes de Israel, da Autoridade Palestina e do Irã. Não é ocasional a presença em nosso país de três atores-chave do conflito que há décadas infelicita o Oriente Médio.

Os três governantes -- cada um a sua maneira -- viram na diplomacia brasileira, especialmente no presidente Lula, uma possibilidade de, por meio do diálogo, avançar no caminho de uma solução negociada para um conflito que transcende a dimensão puramente regional. Ele ameaça a paz no mundo.

Essa é também a percepção de muitos líderes mundiais. O presidente norte-americano, Barack Obama, nas conversações mantidas com Lula e em recentíssima carta a ele enviada, reitera o papel que o Brasil poderá ter na busca de uma solução de paz para o Oriente Médio -- aí incluindo suas conversas com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Mas essa não é a percepção de quem defende uma política externa minimalista, para não dizer subserviente. Nela, as grandes potências se ocupariam dos grandes temas enquanto os demais países se ocupariam do resto. Assuntos como esse não poderiam ser tratados pelos "vira-latas" aos quais se referia Nelson Rodrigues ao analisar o comportamento de certos brasileiros, vítimas de complexo de inferioridade.

Quando o governo organizou a cúpula América do Sul-Países Árabes em 2005, essas mesmas vozes se fizeram ouvir. Para que essa reunião? Haviam criticado, em 2003, a viagem de Lula ao Oriente Médio, aí incluindo a Líbia. As críticas sumiram quando Tony Blair [ex-premiê britânico], José María Aznar [ex-premiê espanhol] e Silvio Berlusconi [premiê italiano] também fizeram o caminho de Trípoli semanas após.

Durante a crise de Gaza, no começo deste ano, o presidente Lula determinou que o chanceler Celso Amorim visitasse o Oriente Médio e se entrevistasse com os líderes políticos da região em busca de alternativas. Houve quem buscasse ridicularizar a missão, qualificando-a de megalômana.

A persistência do impasse na região, seu potencial explosivo e a pertinência de nossas propostas mostraram o acerto daquela iniciativa.

A tese defendida pelo presidente Lula era (e é) a de que havia necessidade de "arejar" as negociações no Oriente Médio. A inclusão de novos interlocutores poderia dar aos entendimentos uma credibilidade hoje inexistente.

Outros países, como a África do Sul, a Índia e o próprio Brasil -- para só citar três que não ocupam lugares permanentes no Conselho de Segurança -- podem contribuir para lograr o que até agora os interlocutores de sempre, sozinhos, não conseguiram.

O Brasil tem posições claras. Defende a existência de dois Estados -- o Palestino e Israel -- viáveis e seguros, com base nas fronteiras de 1967.

Coincide com Shimon Peres [presidente de Israel] e Mahmoud Abbas [presidente da Autoridade Nacional Palestina] sobre a necessidade de trocar terra por paz.

Nossa diplomacia está segura de que a imensa maioria das populações afetadas pelo conflito -- judeus e palestinos -- anseiam pela paz.

O Brasil condena todos os que se opõem à existência do Estado de Israel. Repudia todas as formas de terrorismo. Insta Tel Aviv a suspender novos assentamentos e construções nos território ocupados e a acatar as resoluções das Nações Unidas.

Metaforicamente, o presidente Lula tem citado a boa convivência de árabes e judeus em nosso país como um paradigma a ser seguido mundo afora.

Quem governa um país como o Brasil -- ou quem quer governar -- sabe, ou deveria saber, que os temas de política externa, sobretudo quando envolvem questões maiores, como a paz no mundo, não podem ser objeto de oportunismo eleitoral.

O diálogo que o governo brasileiro tem mantido com as comunidades árabe e israelita em nosso país e na América Latina é transparente e não deixa dúvidas sobre nossas posições, seja sobre temas de natureza histórica -- como o Holocausto --, seja sobre questões mais recentes, elas também dolorosas.

Essa cristalina transparência difere das águas turvas dentro das quais pescadores lançam suas iscas. Mais para atrair incautos eleitores do que para oferecer alternativas.

* MARCO AURÉLIO GARCIA, de 68 anos , é assessor especial de Política Externa do presidente da República e professor licenciado do Departamento de História da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Foi secretário de Cultura do município de São Paulo (gestão Marta Suplicy).

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Peré lança "Sapo na Muda"

Da Prefeitura: O jornalista Luís Carlos Novaes lança, nesta quinta-feira, 26, às 20h, o livro “Sapo na Muda: Meus Amigos, Meus Mortos, Meus Caminhos Tortos”. A obra é uma coletânea de crônicas publicadas na coluna “Sapo na Muda” que, há sete anos, ele assina no Jornal de Notícias, do qual é editor. São 122 páginas impressas pela Editora Millennium, via Consórcio Literário Oficinas das Letras. A solenidade será na abertura oficial da XIX Festa Nacional do Pequi, no Centro Cultural, na Praça Doutor Chaves, centro histórico de Montes Claros.

“Estou estreando como escritor, embora já possua outras crônicas jornalísticas selecionadas para outros quatro livros que espero publicar em breve”, ressalta entusiasmado Peré, como é mais conhecido na imprensa local, onde atua desde 1973.

“Comecei exatamente no início da crise do petróleo. Foi quando deixei o saudoso Tiro de Guerra 87 e ingressei no jornalismo, de onde nunca mais saí, trabalhando como repórter no extinto Diário de Montes Claros”, diz ele, que tinha, então, como editores Felipe Gabrich e Jorge Silveira. "Com os quais aprendi muito do trabalho jornalístico”, admite.

Sapo na Muda” tem como pano de fundo a crise política brasileira, nascida com o golpe militar de 1964. Reúne as crônicas em que o autor liberta sua memória para narrar, com um humor inconfundível, momentos da vida de muitos de seus amigos, durante os anos da década de 1970, revelando suas emoções e atitudes diante de situações que a época proporcionava, passando pelos movimentos sociais, artísticos e culturais que marcaram, sobretudo, a juventude do chamado “anos de chumbo”, quando o Estado de Exceção privava o cidadão de seus direitos constitucionais.

PERIGO -Peré lembra que era um “tempo perigoso” para todos, face ao embate entre o capitalismo e o comunismo, a democracia e a ditadura, principalmente para quem lidava na imprensa, cerceada pelos plantões dos censores dos generais. “Ainda assim, conseguíamos levar adiante muitas propostas que, então, eram consideradas subversivas num país em que, por pouco, seus habitantes quase foram proibidos até de pensar”, acrescenta, sem esconder que a “ingenuidade” também fazia parte das ações daquela juventude, nem sempre informada corretamente da política exercida pelos quartéis.

Ele destaca iniciativas como a criação da Academia Juvenil de Letras de Montes Claros, a constituição do Catibum, movimento que reunia os jovens da cidade para debates sobre vários temas – locais e nacionais, e para troca de informações, bem como a realização da Missa Jovem, exatamente quando a Igreja Católica também não escapava da mira dos militares, e muitas outras passagens que relembra ao leitor com sua verve de historiador.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Lula e Ahmadinejad: polêmica e interesses escusos



Ainda durante muito tempo, a visita do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil será pauta para a imprensa e para protestos de amantes dos direitos humanos. O líder desse país do Oriente Médio faz jus à polêmica que incendeia onde quer que esteja. Ele despreza os judeus, defende a extinção do estado de Israel e questiona a existência do holocausto, quando, comprovadamente, morreram mais de seis milhões dos descendentes dos hebreus. Além do mais, quer porque quer desenvolver energia nuclear, segundo diz, para fins pacíficos.

Torna-se necessário, entretanto, saber o porquê de tanto disse-que-me-disse em torno da presença do líder iraniano no Brasil. O imbróglio transcende conversas sobre programa nuclear no Oriente Médio para desembocar no sangrendo conflito Israel-Palestina. Israel, o estado judeu por excelência. Palestina, território de maioria muçulmana onde os judeus reimplantaram seu país, após vencer uma guerra horrível. No início do mês, a Terra de Santa Cruz estendeu tapete vermelho para o presidente de Israel, Shimon Peres. Analistas apostam que a vinda de Peres resumiu-se a um esforço diplomático, no sentido de reduzir o impacto da visita de Ahmadinejad.

A bomba estoura no colo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não se furtou a receber personalidade tão indigesta. E, sempre é bom lembrar, em ano pré-eleitoral. Mas o fato é que o próprio presidente norte-americano Barack Obama, opositor ferrenho das ideias de Ahmadinejad, crê que Lula possa desempenhar o papel de "fiel da balança" e intermediar, quem sabe, conversas entre arqui-inimigos.

A mídia brasileira e, claro, parte dos políticos, irmanam-se às minorias que, diga-se de passagem, exercem função de importância vital no processo democrático ao não aceitar a presença do líder iraniano, um ditador sem meias palavras. Com o diferencial de que, ao contrário da tropa de choque formada pela imprensa e por políticos, cujos interesses passam longe da descência de se lutar em prol de uma causa nobre, essas minorias organizadas acreditam naquilo que as leva para as ruas, são legítimas.

/

Blecaute não influi em popularidade de Lula

Apesar de ser mais uma pesquisa pouco confiável, dado à origem - CNT / Sensus, de propriedade do ex-vice-governador de Minas, Clésio Andrade, também presidente do diretório estadual do Partido da República e da Confederação Nacional do Transporte, muito ligado a pré-candidatos da oposição -, vale ressaltar dois pontos interessantes.

O primeiro deles é o percentual de cidadãos que afirmam votar no candidato que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiar. Essas pessoas equivalem a nada menos que 20,1%, menor o,7% em relação à última sondagem. Outros 16% aventam, sim, a hipótese de seguir Lula. Dados que a maioria dos grandes portais de notícia sequer mencionaram ou, se o fizeram, foi de maneira muito sutil, quase que imperceptível.

O segundo é que a pesquisa realizada de 16 a 20 de novembro, em 131 municípios de 24 estados, aponta também algo que todos já sabiam, menos o dono da CNT / Sensus, haja vista a surpresa com que divulgou o fato. A recente falta de energia que afetou 18 estados brasileiros e parte do Paraguai não influenciou a avaliação do governo Lula, que cresceu de 65,4%, em setembro, para 70%, em novembro. Já a avaliação positiva do presidente subiu de 76,8% para 78,9%. Fenômeno que, segundo a CNT / Sensus, perde um pouco do impacto, se for levado em conta que, no início do ano, a popularidade de Lula batia a casa dos 80%.

Outros dados... Bem! Outros dados o internauta procure nos grandes portais de notícia. Não os publico porque os achei fantasiosos demais. Basta ter cuidado com o que lê e, de preferência, aguçar as antenas da inteligência, para não se deixar levar por delírios de grandeza, que só servem para afagar egos.

sábado, 21 de novembro de 2009

"Versão brasileira, Herbert Richers"

O Brasil chora a morte do produtor de cinema Herbert Richers, ocorrida ontem, 20 de novembro. Principalmente aqueles que, como eu, cinéfilos incorrigíveis desde a mais tenra idade, saboreou inúmeras vezes a qualidade das dublagens feitas pela empresa que leva seu nome.

Numa época em que nem se cogitava as facilidades tecnológicas de hoje e que as duas únicas oportunidades de apreciar a sétima arte e afins era via canais de TV abertos - sobretudo Rede Globo - ou ir às salas de projeção, o trabalho de Herbert Richers foi de fundamental importância. Os filmes assistidos em casa eram praticamente todos dublados, com raríssimas exceções, se é que existiam. Do contrário, o jeito era ir ao cinema.

Ao contrário de outras companhias do ramo, a Herbert Richers nunca deixou a desejar. A voz de atores nacionais costumava encaixar-se à perfeição aos personagens de filmes estrangeiros.

Por breves momentos, silencia-se a indefectível mensagem inicial, presente na esmagadora maioria das películas exibidas no país: "versão brasileira, Herbert Richers".

Richers nasceu em Araraquara, interior de São Paulo, em 11 de março de 1923 e se mudou para o Rio em 1942, onde fundou, em 1950, a célebre Herbert Richers.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A arapuca do STF

A decisão do Supremo Tribunal Federal de favorecer o governo da Itália com a extradição do ex-ativista de esquerda Cesare Battisti e, ao mesmo tempo, exatamente pelo mesmo placar - cinco votos a quatro -, passar para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade de acatar ou não a voz da Alta Corte, toma ares de desafio. Ou, quem sabe, de armadilha política. Uma arapuca que, ao que parece e raposa velha como é, não pegará o presidente. Ele já deu sinais de que não se deixará levar pelo ego e deve procurar uma brecha jurídica para manter Battisti no país, sob o manto de refúgio político.

Segundo noticia a Folha de S. Paulo de hoje, a estratégia resume-se a tentar usar o mesmo argumento do ministro da Justiça, Tarso Genro - "fundado temor de perseguição política" -, vez que o STF tornou sem valor a justificativa, adotada em janeiro deste ano, para continuar a abrigar o ex-ativista, que chegou à Terra de Santa Cruz em 2007 e desde então permanece detido. Prevaleceria, assim, a negativa ao pedido de extradição da Itália, onde Battisti foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios. Caso não seja possível o amparo da lei, Lula estaria disposto a cumprir a decisão do STF, que desqualificou os assassinatos de crimes políticos, enquadrando-os na categoria de hediondos.

O presidente quer evitar uma briga que, evidentemente, não seria nada produtiva e poderia ser manuseada como arma política na campanha eleitoral que já se avizinha. Presidente do STF, o ministro Gilmar Mendes, autor de declarações antiesquerdistas, além de ter ficado famoso pela maneira pouco ortodoxa de atuar à frente do Supremo - sempre a favor de poderosos como o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito Celso Pitta e o megainvestidor Naji Nahas, todos presos pela Polícia Federal, acusados de crimes financeiros, e, não obstante, beneficiados com habeas corpus na Alta Corte -, avisou que nunca na história um presidente descumpriu decisão do STF. O recado foi dado. Para o bom entendor, meia palavra basta... .

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Reedição criminosa de 1989

Do blog Vi o Mundo: Dois jornalões brasileiros, a Folha de S.Paulo e O Globo gastaram muito papel e tinta no fim de semana (edições de domingo, 15.11) para resgatar a memória das eleições presidenciais de 1989. Foram as primeiras realizadas no país após 25 anos em que a ditadura militar impôs as indiretas com as quais colocou no Palácio do Planalto cinco marechais e generais-presidentes, além de três oficiais-generais integrantes de uma Junta Militar.

Do blog de José Dirceu, via Vermelho : A Folha se limitou mais a um registro, ainda que interpretativo do jornalista Fernando Rodrigues. O Globo fez uma memória de quatro páginas com viés negativo para todos, mas principalmente para o presidente Lula, já que a tônica é que este foi adversário — arquiinimigo, diz o jornal — dos ex-presidentes Fernando Collor de Mello e José Sarney, hoje aliados de seu governo.

A memória e o resgate são válidos, mas o único fato que vale a pena destacar das eleições presidenciais de 1989, os dois jornais não podem ou não tem coragem de assumir: eles apoiaram Collor, que só foi eleito porque contou com o apoio da mídia. aliás, o próprio Collor agora admite isso.

Naquela campanha e eleição daquele ano, ela fez de tudo, sem nenhum limite ético, para derrotar Lula e eleger Collor. A mídia é, assim, a única responsável pela sua eleição junto com o grande empresariado.

Reedição - Preparamo-nos para nova eleição, a sexta desde que as diretas foram restabelecidas para presidente e agora, vivemos situação idêntica à de 20 anos atrás, em que vale tudo de novo na mídia.

Estão de volta até seus ventríloquos — como o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), com muitas falas em O Globo, ontem — para repercutir e repetir que a única consequência, ou a mais importante que ele destaca do pós-1989, é o apoio que os ex-presidentes Fernando Collor e José Sarney, agora senadores, dão hoje ao governo do presidente Lula.

O Globo não foi capaz — não quis ou não lhe interessava, o que é mais óbvio — de publicar uma palavra, de recuperar o apoio dos tucanos ao governo Collor quando todos sabem, é só puxar um pouco pela memória, para lembrar que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (então no Senado) e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) quase foram ministros de Collor.

Só não foram ministros porque o companheiro deles, então senador Mário Covas (PSDB-SP), contrário a esse apoio, criou uma situação constrangedora que os impediu. E o apoio deles, e de todo o tucanato ao governo José Sarney? Naquelas duas ocasiões, o PT e Lula estavam e continuaram na oposição.

A mídia elege Collor - O agora senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) não quis falar ao O Globo sobre sua eleição para presidente em 1989, mas em compensação rasgou o verbo para Haroldo Cervalo Sereza na série especial do UOL a respeito, numa entrevista em que colocou muitos dos pingos nos is sobre sua vitória naquele pleito de 20 anos atrás.

À série especial do UOL, o agora senador alagoano foi franco e o online utilizou no título: "Relação com a Globo 'ajudou bastante', lembra Collor". O ex-presidente recorda, ainda, que sua candidatura era vista com simpatia também pelos outros grupos de mídia.

"Havia receio dos meios de comunicação de um eventual governo comunista", admite Collor, acentuando que o candidato da mídia seria o senador Mário Covas (PSDB-SP), mas ele "não decolou". Sua candidatura ganhou simpatia, então, conclui Collor, "porque não havia alternativa" para a mídia e setores conservadores.

Nota do blog: Particularmente, não acredito que a mídia possa ter desempenho tal qual na referida época. Todos os que viveram aqueles momentos sabem muito bem a jogada suja dos meios de comunicação, sob amparo de setores ultraconservadores, para não deixar que o sindicalista Lula chegasse à Presidência do Brasil. Isso não se questiona mais.

Apesar de até hoje, esses setores, que o próprio Lula, em entrevista recente ao programa "É Notícia", da RedeTV, adjetivar de "apodrecidos", não o aceitarem e a todo momento tramarem o retorno de seus pares ao poder, não se pode dotar a mídia de igual potencial. Sobretudo porque, nestes 20 anos, muita coisa mudou no ambiente tecnológico-comunicacional. Refiro-me ao advento da internet, onde, pelo menos por enquanto, os cerceadores do livre pensamento não conseguiram êxito.

Mas que a grande mídia já iniciou o embate para eleger a oposição. Ah! isso já. Não tenham dúvidas.

Foto: Natuch

"Lula, o filho do Brasil"



O filme "Lula, o filho do Brasil" chega inebriado de polêmica. Tudo porque sua pré-estreia, ocorrida ontem, em Brasília, reacendeu discussões sobre o possível uso político da obra do diretor Fábio Barreto. Assunto que, diga-se de passagem, só serve mesmo para colocar a oposição em polvorosa. Sinceramente, eu não entendo o porquê de tanta apreensão. Além de não ter recebido um centavo sequer do poder público - o orçamento de R$ 12 milhões foi coberto por diversas empreiteiras -, a película retrata a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até sua eleição à Presidência do Sindicado dos Metalúrgicos, em São Paulo, em 1980. Para aí. Não aborda a extraordinária trajetória do operário que chegou ao topo da nação tupiniquim. O próprio Fábio Barreto não se cansa de esclarecer que o grande mérito do filme é retratar a luta do ex-torneiro mecânico nordestino, um brasileiro sofrido, retirante que sentiu na pele as agruras da pobreza extrema. Ingredientes que, conforme Barreto, já legitimam a iniciativa e enobrecem qualquer roteiro. No vídeo, a consagrada atriz Glória Pires, que interepreta dona Lindu, mãe de Lula. O presidente norte-americano Barack Obama já solicitou uma cópia da produção. Quem pode, pode. O resto é gritaria pura. Desespero dos incompetentes. Só isso.

Política rasteira

Uma coisa difícil, quase impossível, de entender é a tal da política. Sobretudo porque se trata de uma arte rasteira, embora criada com o altruísmo digno das grandes empreitadas. Afinal, a política delimita a vida em sociedade, administra a coletividade de modo a facilitar a vida de cada pessoa.

A realidade, entretanto, mostra a política como trampolim para o enriquecimento, a partir do momento sua metamorfose num canal de acesso a rios de dinheiro, que chega aos cofres públicos oriundo do bolso dos cidadãos de bem, via impostos.

O resultado de tudo isso? Bem, o surgimento de um lodaçal sem fim cujo único objetivo é manter o "status quo" e os comensais que dele sobrevivem. A alternância emerge na condição de alerta e, por isso mesmo, deve ser sufocada, sabotada, vilipendiada à exaustão. Somente assim é que as peças podres do xadrez são recolocadas nas posições originais. Retornam triunfantes.

O Brasil de hoje espelha de forma extraordinária o destempero a que chegou a política. Às vésperas de ano eleitoral, os protagonistas do processo já se arvoram em assegurar um lugar ao sol, nem que seja à base de traição, palavras soltas, não raro sem qualquer nexo, mas que, à custa de interesses inconfessáveis e da liberação criminosa de montantes financeiros absurdos, ganham os holofotes da mídia.

Despontam-se neste cenário pseudoestadistas, desbotados por um repertório incrível de ideias ultrapassadas, e que, no entanto, ganha ares de novidade. Na verdade, um velho travestido de novo. Um monstrengo na pele de galã. O atraso com o lustre do avanço.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Lula diz que momento mais triste de sua vida foi quando perdeu Lourdes, sua esposa montesclarense



Eu assisti à entrevista que o jornalista Kennedy Alencar, colunista da Folha de S. Paulo, fez com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para o programa "É Notícia", veiculado na RedeTV na noite do último domingo. Um dos trechos mais fortes da conversa do presidente com o repórter foi, sem dúvida, o momento em que Lula revelou a dor mais terrível que sentira na vida. A morte da 1ª esposa, Maria de Lourdes, uma montesclarense. Com a voz embargada, o chefe da nação contou que, em 1971, quando completara dois anos de casamento, fora visitar a mulher no hospital. Grávida de sete meses, ela estava internada para dar à luz. Como na época não se sabia antes se era menino ou menina, o sindicalista levara duas roupinhas, uma rosa e outra azul. Ao chegar no local, entretanto, soube da morte da esposa e do filho. O presidente chorou e o jornalista, visivelmente tocado, procurou amenizar o ambiente. Prevaleceu o silêncio... .

Noutra parte da entrevista, Lula denunciou a existência de "uma banda apodrecida da política brasileira" que, até hoje, não o aceita. Ninguém há de discordar. Os abutres estão soltos e, pior, prontos dar o golpe no pobre do eleitor. Caras de anjo, tentam demonizar o governo do operário.