A imprensa noticiou, ontem, que o Congresso Nacional pretende gastar a bagatela de R$ 1,5 milhão na compra de móveis novos para deputados e senadores. A argumentação: a mobília tem 30 anos de uso. A falta de vergonha: nada parece saciar o desejo esbanjador da classe política brasileira, que se esbalda com altíssimos salários e, agora, diante de violenta crise econômica internacional e de tragédias como a das enchentes no estado de Santa Catarina, onde já morreram mais de 100 pessoas e outras 78 mil perderam suas casas, simplesmente gastarão à toa o dinheiro do contribuinte.
Eles poderiam informar isso aos catarinenses e mesmo aos montes-clarenses, sobretudo os mais carentes, que andam à voltas com o pavor de que os temporais que devastaram aquela parte da região Sul cheguem até o Norte de Minas, já bastante castigado pela inclemência do sol. Na noite da última quinta-feira, por exemplo, choveu o bastante na Princesinha do Norte para transbordar o rio Vieira e a lagoa do Parque Municipal, além de alagar as imediações da Praça dos Jatobás, na avenida José Corrêa Machado. Ali, carros foram arrastados pela correnteza.
A propósito, a farra com o dinheiro público favorece o surgimento de uma classe de vermes, que faz de tudo para manter ou conseguir uma "boquinha" em instituições do governo. Não se importam, inclusive, em expor o nome para realizar falcatruas do tipo falsificação de documentos e outras ações torpes, típicas de pessoas cujo caráter é recheado de debilidades. Por isso, traem, trapaceiam e enlameiam a categoria dos funcionários públicos - a maioria, diga-se de passagem, dignifica a função que exerce. Só assim, à mercê do "jeitinho" político, esses vermes suprem a incapacidade de cavar um espaço no concorrido mercado de trabalho... .
O mundo vive hoje enorme crise ética. Disso ninguém mais duvida. O que espanta é a naturalidade com que se passou a encarar essa deficiência, à medida que as situações favoreçam ou não ao interessado. Explico melhor. A consciência coletiva, formada pelo pensamento de um povo ou, quem sabe, de toda a humanidade, conseguiu a façanha de transformar o que deveria ser geral em pessoal. Assim, o conjunto de valores que emerge do interior de cada um para, a seguir, adaptar-se ao ambiente, sofre mutação criminosa e deixa de estabelecer limites que facilitam o convívio social. Daí que, talvez sem perceber, a raça humana esteja retornando à idade da pedra, em que a luta pela sobrevivência forçava o surgimento de bandos visando à demarcação de território onde simplesmente se estabeleciam seus integrantes, sempre vigilantes e prontos a dar o bote, quando necessário ou a lei da selva assim o exigisse.
Num jogaço, o Cruzeiro venceu o Flamengo por 3 a 2 no Mineirão, hoje à tarde. A partida foi impecável, certamente uma das melhores e mais emocionantes do Brasileirão 2008. Os mineiros estiveram à frente no placar e, por duas, vezes, permitiram que os cariocas empatassem. Mas aí, já nos acréscimos, Ramires recebeu um presente de Fabrício, que deixou o volante frente a frente com o goleirão rubro-negro. Muito tranqüilo, Ramires bateu por cima, encaixando a bola no canto direito do gol adversário. Em seguida, uma bola na trave impediu o quarto tento azul. Ao retomar a posse de bola, o Flamengo chegou à pequena área da Raposa onde Diego Tardelli foi travado quando tentava chutar. Os cariocas partiram para cima do juiz, sob alegação de suposto pênalti. Dois jogadores do Flamengo acabaram expulsos. Penso que não houve a penalidade. O lance foi na bola e, como o atlega rubro-negro preparava-se para chutar, desabou no chão. Mas o importante é o resultado, que coloca o Cruzeiro na 3ª posição e muito próximo de disputar a Libertadores 2009.