A cena de formandos de Medicina em farra num hospital de Londrina, capital do Paraná, Sul do País, choca por uma série de fatores. O que mais chama atenção, entretanto, é o desrespeito e a indiferença desses discípulos de Hipócrates para com as pessoas que aguardavam atendimento e que obviamente estavam com algum problema de saúde.
O fato foi tão escandaloso que a Reitoria da Universidade de Londrina (UEL), onde eles estudam, já anunciou que o grupo de 14 acadêmicos não participará da solenidade de colação de grau, hoje à noite, e que será obrigado a assistir a uma aula sobre ética. Penso que o Conselho Nacional de Medicina deveria fazer algum pronunciamento e esclarecer acerca da possibilidade de cassação dos diplomas que, a propósito, ainda nem foram entregues.
Um homem que acompanhava a esposa grávida filmou a baderna pelo celular. As imagens mostram os futuros médicos quando saíam de um bar com bebidas e entravam no hospital aos gritos. O celular captou, inclusive, estrondo que seria de um rojão.
Abaixo, a transcrição do famoso Juramento de Hipócrates, considerado pai da Medicina, que os futuros médicos fazem assim que se formam:
"Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça."
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