sábado, 3 de janeiro de 2009

Amigos e inimigos na política surgem assim

A política deveria ser a arte de agregar valores à sociedade, por meio de gestões sérias e comprometidas com o bem comum. Na prática, entretanto, transforma-se criminosamente na arte da troca de favores, que ganha corpo no loteamento da coisa pública. Assim, velhos inimigos tornam-se amigos, unem forças até que uma das partes sinta-se desprestigiada. Ocorre então o desgaste na relação, que se deteriora até o completo afastamento. Em seguida vem acusações de todos os calibres, de preferência sob os holofotes da mídia. Amigos e inimigos na política surgem assim.

Mas, espera aí... e o povo, que afinal é quem concede os mandatos, pelo voto? Bem, o cidadão honesto, que trabalha diariamente para dar conta de pagar pesadíssima carga tributária, uma das maiores do mundo, diga-se de passagem, fica a ver navios. Até que chega novamente o período eleitoral e os candidatos reaparecem. Cândidos, humildes, cheios de boas intenções. E o ciclo, já vicioso, começa tudo de novo... .

Fico a imaginar se o salário de político fosse reduzido e o voto deixasse de ser obrigatório. As duas suposições certamente melhorariam a qualidade dos postulantes à vida pública. A segunda deles, em particular, contribuiria para aumentar o senso crítico da população, visto que somente os que quisessem exerceriam o direito - não o dever - cívico.

Caminho

Benedito Said

Antes incrédulo, C.S.Lewis, que considerava Deus seu inimigo, escreve convertido: “Rezemos para que a raça humana jamais escape da Terra para espalhar sua iniquidade em outros lugares”. Montes Claros teve um ano recheado de conquistas, mas respirou nas esquinas, palácios e escombros, guetos e praças iluminadas, o resultado da insanidade de homicídios, a maioria provocada pelo tráfico de drogas. Iniquidade desumana também fruto do que Platão chamou de pior doença, “desigualdade social”. Kant afirmava que estamos na hipermodernidade, onde prevalece a busca pelo sucesso individual, o que inclui riqueza ou posse. Daí os marginalizados, não inseridos socialmente, desassistidos, maltrapilhos, rotos, macilentos. Milhares de seres que não conseguem fazer da existência um jardim tornam-se as principais vítimas. Homens e mulheres que recolhem, no alvorecer da vida, pedaços de mágoas pelas ruas do abandono, passando por escolas onde não se ensina o gostar de si e dos outros, preceito de Deus, e que perdem a família como referência.

O grande desafio da cidade, e do País, continua a ser superar o desnível social. Khalil Gibran define que “a tristeza é um muro entre dois jardins”. As injustiças sociais separam classes e sonhos, gerando, de um lado, a tristeza e a dor, o desencanto e entorpecimento, fábrica de almas de coração agoural; do outro, expectativas e condições para sonhar nos braços de Oniro, o que permite encantar-se com a vida. Combater a injustiça social é dar direitos iguais aos sonhadores e aos felizes dos dois lados para que possam superar o triste muro intangível que os separa, garantindo amor e respeito, valorização do ser humano como obra de Deus e não simulacro do divino. Willian Young escreve que “Deus, que é a base de todo o ser, mora dentro, em volta e através de todas as coisas, e emerge em última instância como o real. Qualquer aparência que mascare essa verdade está destinada a cair”. Mas cabe aos homens a escolha, onde se incluem as políticas públicas, a honradez, o compromisso celestial de servir ao próximo nos moldes do primitivo cristianismo ou no ano jubilar judaico, quando dívidas eram perdoadas, escravos libertados, as terras equitativamente redistribuídas.

O poeta José Régio escreve: “não sei para onde vou, sei que não vou por aí”. Podemos mudar de rumo, rever a luta pelo poder, eliminar preconceitos, guerras e abusos de relacionamentos. Plantar um jardim igualitário, com um pronto-socorro de almas funcionando entre girassóis e hortênsias, para abrigar os que estão fora da rota celestial, vítimas da injustiça social ou da falta de amor.

O autor é jornalista. Mantém coluna diária no Jornal de Notícias, é diretor da Rádio Unimontes e professor universitário.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

FELIZ 2009!!!

Um Feliz Ano Novo, repleto de realizações a todos os que, porventura, visitarem este pequeno espaço virtual. Deixe as tristezas e as incertezas de lado. É tempo de esperança. Que 2009 nasça nas graças de Deus e para o bem dos homens de boa vontade.

Bacanal em cruzeiro marítimo

Chocantes as imagens de cinegrafista amador e que a grande mídia nacional teve acesso pela internet, sobre cruzeiro marítimo feito por cerca de dois mil universitários paulistas. O navio zarpou de Santos, passou por Ilhabela e no Espírito Santo até retornar ao ponto de partida. Durante quatro dias, relata a imprensa, houve de tudo na luxuosa embarcação, de excesso de bebida a sexo e drogas. As reportagens, exaustivamente veiculadas em praticamente todas as emissoras de TV, tiveram como "gancho" a morte de uma jovem na mesmo transatlântico, durante o bacanal, há cerca de uma ou duas semanas. Encontraram o corpo caído perto da piscina. A polícia investiga o caso. A passagem custou a bagatela de R$ 2 mil para cada estudante.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Arcebispos elogiam condições em que Athos deixa a Prefeitura

Durante a visita que fizeram a vários pontos da cidade, na companhia do prefeito Athos Avelino, os arcebispos Dom José Alberto Moura (Metropolitano) e Dom Geraldo Majela de Castro (Emérito) elogiaram a atual administração. "Ficamos satisfeitos quando vemos tudo abastecido, mesmo o prefeito atual não indo continuar. Precisamos mesmo de gestões responsáveis, pois o povo precisa ser atendido, independentemente das questões eleitorais", destacou Dom Geraldo. Para Dom José, o prefeito Athos Avelino dá uma demonstração de altruísmo e responsabilidade para com a coisa pública, ao deixar unidades abastecidas, para não prejudicar a população.

A visita ocorreu na sexta-feira passada, quando o atual prefeito, entre outras realizações, apresentou a vários representantes da sociedade civil depósitos e almoxarifados abarrotados de vários tipos de produto, de remédios a gêneros alimentícios. Em condições, portanto, de abastecer os setores a que pertencem durante vários meses, segundo informou a Secretaria Municipal de Comunicação.

Na dia 1º de janeiro de 2009, assume o Executivo montes-clarense Luiz Tadeu Leite, eleito nas eleições de outubro. Foto Eustáquio Cardoso

domingo, 28 de dezembro de 2008

Aos fãs de Lost

Segue aí o trailer da 5ª temporada da série Lost, que virou mania mundial.

Faltam candidatos que façam sombra a Lula

Li na edição de hoje do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, comentário do articulista Paulo César Oliveira sobre eventual terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, ao contrário do que muitos pensam, não está seputado. PCO refere-se ao fato de a Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados ter aprovado substitutivo a 66 propostas de emenda constitucional, que sugerem acabar com a reeleição e aumentar de quatro para cinco anos o mandato de presidente, governador e prefeito e que serão levadas a plenário no próximo ano. Ele entende que, nos bastidores, a intenção é justamente abrir caminho para a discussão em torno da possibilidade de nova candidatura de Lula ao posto máximo da nação.

A simples esperança de que Lula possa continuar na Presidência traz à tona uma realidade incômoda. A falta de carisma dos políticos, que deixa a população sem opção ou paixão na hora de escolher quem substituirá o atual chefe tupiniquim, um fenômeno de popularidade, apesar das intempéries que rondam ou já rondaram seu governo. A verdade é que os nomes cogitados até agora nem de longe fazem sombra a Lula. São pessoas construídas por forte, mas localizado aparato midiático ou então pela força observada dentro do partido a que pertencem. No fundo, representam o atraso, com idéias que lembram uma Direita já morta e enterrada. Mesmo a suposta candidata do presidente, a poderosa ministra Dilma Rousseff, que tem a seu favor os louros do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sem dúvida a menina dos olhos das duas bem sucedidas gestões de Lula, ainda não decolou. A razão esbarra na lógica: Dilma não é Lula, apesar de estar a ele abraçada.

Dizem que, em política, apoios são fundamentais. As eleições municipais de outubro passado, entretanto, demonstraram que a constatação às vezes falha. Veja em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, onde Lula apareceu ao lado de Marta Suplicy, que acabou derrotada pelo prefeito Gilberto Kassab. Não era verdade o que se propagou aos quatro ventos, sob amparo da vertiginosa aprovação popular do petista, de que Lula elegeria até um poste. Há que se refletir, porém, que o pleito municipal diferencia-se do estadual e federal, devido à proximidade. Nele, o cidadão é mais influenciável pelos candidatos em si, pessoas que podem inclusive ser seu amigo ou amigo de seu amigo ou, ainda, oferecer algum tipo de benefício direto que normalmente vale o voto, do que pela personalidade política que lhe estende a mão. No caso do pleito para presidente, a proximidade desaparece, a situação muda radicalmente e os famosos apoios ganham força.

Caso Lula - que, aliás, já garantiu em várias ocasiões que não pretende aventurar-se numa nova eleição para presidente - encontre brecha constitucional e se candidate novamente, creio que muitos pré-candidatos ensaiarão uma saída estratégica para não enfrentá-lo nas urnas. A não ser que haja tragédia gigantesca, ninguém bate Lula. Todos sabem disso.