O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o programa "Minha casa, minha vida". A previsão é de que sejam investidos nada menos que R$ 60 bilhões - dos quais R$ 26 bilhões oriundos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e o restante, R$ 34 bilhões, dos cofres da União - na construção de um milhão de moradias para famílias com renda de até dez salários mínimos (ou R$ 4.650). A parcela mínima será de R$ 50, enquanto o valor máximo do imóvel a ser financiado é de R$ 130 mil.
Além disso, o governo federal deverá bancar a inadimplência das famílias com renda de até três salários mínimos (ou R$ 1.395) que, porventura, tiverem dificuldade para pagar as prestações da casa própria dentro do novo programa federal de habitação. Isso porque o grupo não será coberto pelo fundo garantidor de inadimplência, destinado somente às famílias que ganhem acima de três mínimos, até o teto de dez salários. Quem comprovar que perdeu o emprego, por exemplo, poderá reduzir o valor da prestação em 95% por um prazo de 12 a 36 meses, de acordo com a renda. Nesse período, será pago apenas 5% da prestação. Dados do IBGE mostram que 91% do déficit habitacional do país se concentram na faixa de renda entre zero e três salários mínimos.
Pois é. Não demorou para que, ainda ontem, dia do lançamento do megaprograma, a oposição espernear. Chamaram-no de "pactoide habitacional", numa alusão velada ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que Lula lançou em janeiro de 2007 e que engloba conjunto de políticas econômicas, que vai desde habitação, transporte e saneamento até desoneração tributária. A reação veio do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, que se irritou com o que adjetivou de "toque de marketing" da iniciativa. A seu lado, o líder do PPS na Câmara, deputado Fernando Coruja, disse que convidará a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, provável candidata do petista à Presidência da República, para uma audiência na Casa sobre o assunto. Ah! Agora tudo se explica. Os que se acham em condições de concorrer ao mais alto cargo da Terra de Santa Cruz correm sério risco de comer poeira.
Em tempo: é engraçado como a oposição escandaliza-se diante da polícia social do governo Lula. Numa coisa, eles têm razão. Nunca na história deste país houve tanta atenção aos mais empobrecidos. O que me leva a tirar uma conclusão simples. Na política nacional existe apenas um puro-sangue.
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