Neste sábado, 14 de março, completam-se quatro anos de morte do Cônego Sebastião Raimundo de Castro. Mais conhecido como Padre Tiãozinho, ele era irmão de sangue e colega de Ordem Premonstratense do hoje Arcebispo Emérito Dom Geraldo Majela de Castro. Foi um sacerdote que deixou no coração dos fiéis que tiveram o prazer de sua companhia um sentimento de doçura muito difícil de ser encontrado nos tempos de hoje. Certa vez, a uma aluna sua no antigo Colégio São Norberto, dirigido pelo célebre Cônego Adherbal Murta de Almeida durante 32 anos, também um "padre de batina branca", tratou de enaltecer a importância do curso normal. A moça estava meio desanimada com o despretígio da docência, já sentido nos idos de 1980. As palavras de Padre Tiãozinho a respeito da arte de ensinar foram tão incisivas e convincentes que a estudante retomara o gosto de aprender. Recuperara, inclusive, o entusiasmo para com a profissão que escolhera.
Mas o segundo dos nove filhos de Seu Eunápio e Dona Ana era mesmo um padre. Não se cansava de relatar as situações que vivera e os obstáculos que vencera para continuar firme na missão que, afinal, Deus confiara-lhe. Essa sensação de realização podia facilmente ser percebida na maneira que Padre Tiãozinho conduzia sua vida sacerdotal. Nas homilias, costumava falar com a alma. Daí a vibração observada na voz - em alguns momentos até saía embargada, especialmente quando discorria sobre Jesus - e o cuidado de, no cotidiano, experienciar o que pregava, alijando para longe a hipocrisia. Dava a impressão de ter escutado o que Madre Tereza de Calcutá preconizara: um testemunho vale mais que mil palavras.
O bom humor também constituía sua marca. Diante da admiração das pessoas quanto à semelhança física existente entre ele e o irmão arcebispo, protestava veementemente assim que alguém tocava na suposição de ambos terem a mesma idade. "Nada disso, eu sou muito mais novo", esclarecia para um atônito interlocutor, por certo envergonhado com a gafe e, agora, convicto de que havia uma imensa diferença de anos a separá-los. "Eu sou de 1932 e ele de 1930", afirmava, num esforço para conter o riso. Na verdade, Padre Tiãozinho nutria imensa admiração pelo irmão. Tanto que no depoimento que gravou para as comemorações das Bodas de Ouro Sacerdotais de Dom Geraldo, em 2003, quase não conseguiu expor as ideias, devido à emoção.
Outra característica de Padre Tiãozinho referia-se à Mãe de Jesus. Mariano incorrigível, ele transbordou de alegria em 2002, quando foi alçado à condição de primeiro pároco da Paróquia Nossa Senhora Rosa Mística. No interior do belo templo, construído numa praça do bairro São Luiz, está a imagem de Rosa Mística, vinda diretamente de Montichiari (Itália) onde houve aparições da Virgem, de 1947 a 1976. Místico que era, Padre Tiãozinho logo entendeu a mensagem divina. Em português, Montichiari significa Montes Claros, contava com brilho nos olhos.
Padre Tiãozinho morreu exatos sete dias após a Arquidiocese de Montes Claros perder seu Bispo Emérito, Dom José Alves Trindade, no dia 14 de março de 2005, vítima de câncer. Tinha 73 anos, 48 dos quais dedicados à Igreja. Foi ordenado padre no dia 21 de setembro de 1957. Antes de assumir a Paróquia Nossa Senhora Rosa Mísca, exercera o ministério em Bocaiúva (MG) e nas paróquias locais da Matriz de Nossa Senhora e São José e de São João Batista.
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