O cinismo político no Brasil é algo inacreditável. Agora há pouco, o presidente do Senado, José Sarney, mostrou indignação quanto à repercussão negativa do pagamento de horas extras na Casa, mesmo em janeiro, quando ali não há expediente administrativo ou parlamentar. Ah! O benefício foi majorado em 111%, o que elevou o teto de R$ 1.250 para R$ 2.640. O coronelão maranhense disse que o Senado virou "boi de piranha", numa alusão ao animal que os vaqueiros jogam no rio onde há piranha, para servir de isca e, assim, os demais poderem atravessar incólumes.
O "boi de piranha", que remete a um sacrifício digno em prol da maioria, não merecia ser equiparado ao Senado Federal. Não, definitivamente não. Não àquele braço do Congresso Nacional que, em fevereiro, não votou um projeto sequer, saiu para o Carnaval e só retornou em 3 de março, três dias após os trabalhadores sérios e honestos, que labutam para conseguir ganhar um salário ínfimo, se comparado aos estratosféricos R$ 16,5 mensais, além da verba indenizatória de R$ 15 mil, pagos a cada um dos 81 senadores. Valores que, aliás, não sofreram nenhum corte a despeito do ocorrido.
2 comentários:
Na minha opinião nada vai acontecer em relação ao pagamento das horas extras. Muita fumaça e pouco fogo.
Eu tenho certeza disso.
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