"Tem duas concepções de ver o Brasil. Tem pessoas que governam o Brasil para o imaginário de uma pequena casta. E tem pessoas que governam pensando em envolver 190 milhões de brasileiros. Quebramos o preconceito de primeiro de ter que enxugar a máquina, fazer o país crescer e, então, dividir. Vivi isso durante quatro décadas. Quando resolvemos fazer política social, dissemos que era possível crescer concomitantemente e criamos uma nova casta de consumidores que está ajudando a indústria e o comércio."
O comentário acima foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista à Folha de S. Paulo, anteontem. Uma das afirmações mais importantes foi exatamente essa cujo teor envolve um pesadelo vivido décadas atrás. Os governantes chegavam ao poder - de 1964 até 1985, indicados pelos militares ou via Colégio Eleitoral; e, a partir de 1989, por eleições diretas -, faziam discursos eloquentes, recheados de frases danificadas por um economês que beirava o ridículo, para, no fim, lamentarem que o desenvolvimento do país passava necessariamente ao fio da navalha do Fundo Monetário Internacional. Noutras palavras, era preciso pagar o "impagável": a dívida externa brasileira, acompanhada de juros exorbitantes. Os investimentos no social, infelizmente, ficavam para depois. E assim a humanidade seguia seu curso.
Até que um ex-torneiro mecânico assumiu o comando da Terra de Santa Cruz, a partir de 2003. Sem se descuidar do "abacaxi" que herdara do governo de Fernando Henrique Cardoso e companhia, prometeu, e cumpriu, olhar com mais atenção para os empobrecidos.
O resultado dessa "loucura"? Bem, (re)leia o que a mídia divulgou em larga escala ano passado:
"Em 21 de fevereiro deste ano, o Banco Central (BC) confirmou que a soma de ativos do País superou o total da dívida externa do Brasil, que se tornou credor internacional pela primeira vez na história. O fato significa que as reservas são suficientes para pagar a dívida e foi concretizado principalmente pelo fortalecimento das reservas internacionais e pelo programa de recompra da dívida externa e antecipação de pagamentos.
Segundo dados do BC, a dívida total líquida - resultante da subtração dos ativos do País no exterior em relação à dívida externa bruta - era de US$ 135,7 bilhões em 2004 e foi caindo até alcançar valor negativo pela primeira vez (US$ 11,9 bilhões) em dezembro de 2007. As contas da autoridade monetária foram consolidadas apenas em fevereiro de 2008, quando os brasileiros puderam comemorar a boa notícia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse à época que a passagem de devedor para credor internacional foi o "segundo grito da independência" do País. A mudança repercutiu pelo globo e aumentou a confiança dos investidores na maior economia da América Latina, além de ajudar o Brasil a obter a classificação de grau de investimento das agências de risco." (texto extraído do Portal Terra de 21 de fevereiro de 2008)
A seguir, conheça um pouco a história da propalada dívida "impagável", pesquisada no Globo Online da mesma data:
"1824: O Brasil, como nação, já nasceu com dívidas. O Imperador Pedro I pediu empréstimo externo para cobrir dívidas da colônia.
1829: Ainda na época do Império, houve a primeira renegociação da dívida externa brasileira, que foi chamado de empréstimo ruinoso, para pagar débitos vencidos.
1858: Da independência até o fim da Monarquia, o Brasil contraiu 17 empréstimos em bancos ingleses, para quitar débitos antigos.
1864-70: A Guerra do Paraguai trouxe mais dívidas para o país. De novo com a Inglaterra, que forneceu os navios e os empréstimos para bancar o conflito.
1898: O governo Campos Sales faz a primeira renegociação da dívida da República, reunindo num só crédito todos os empréstimos a vencer.
1931: A primeira moratória brasileira foi anunciada na capa do "New York Times".
1937: O Estado Novo de Getúlio Vargas suspendeu o pagamento dos serviços de todos os empréstimos por três anos.
1959: Juscelino Kubitschek rompeu com o Fundo Monetário Internacional (FMI), ficando fora do circuito financeiro mundial. O Fundo não aceitava os níveis da inflação brasileira.
1973 a 1980: O governo militar sustentou o milagre econômico tomando empréstimos abundantes. Com a crise do petróleo, a dívida externa disparou, para cobrir o rombo na balança comercial. O país importava 85% do petróleo que consumia.
1983: Com as reservas negativas, o governo informa aos credores que passará a pagar apenas os juros: não mais o principal de sua dívida externa.
1984 a 85: Durante esse período, o Brasil assinou vários acordos com o FMI, mas nunca cumpriu as metas fixadas nas cartas de intenção. O termo waiver (perdão) ficou conhecido no noticiário econômico. Nessa época, a fama do fundo entre os brasileiros piorou muito, diante das exigência do organismo para se renegociar a dívida, que arrochava a economia.
1987: O governo Sarney interrompe unilateralmente o pagamento dos juros da dívida, mantendo só o principal (US$ 2 bilhões).
1998: Com a âncora cambial e a abertura econômica, as importações elevam o déficit comercial. Somado ao déficit das contas públicas e à crise da Ásia, o Brasil recorre de novo ao FMI, e assume o compromisso de ajuste externo, aumentando exportações.
2002: Foi a última vez que o país recorreu ao FMI. Com a cotação do dólar avançando fortemente, o Brasil foi obrigado a pedir uma ajuda de US$ 15,5 bilhões ao fundo, diante das baixas reservas do país. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, que foi negociador da dívida em outros governos, foi o último ministro a ir ao FMI.
2005: O Brasil paga antecipadamente o empréstimo de US$ 15,5 bilhões, que venceria em 2006 e 2007. Com isso, o país economizou US$ 900 milhões de juros.
2006: O país resgata US$ 20 bilhões em títulos da dívida externa, inclusive, os bradies, papéis emitidos quando Brasil saiu da moratória em 1990."
Agora, estimado internauta, leia o que a mídia propagou recentemente:
"Aos olhos de hoje, é correto dar o braço a torcer, inclusive este jornalista, e dizer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acertou quando disse no ano passado que a crise econômica mundial chegaria ao Brasil como uma marolinha. Diante das expectativas da época de governos, empresas e veículos de comunicação do mundo todo, o que bateu no país foi mesmo uma marolinha.
Na virada de 2008 para 2009, parecia que o planeta iria quase acabar. E Lula foi duramente atacado por seu otimismo. Ele cumpria o fundamental papel de animador do auditório na hora da crise, mas também a subestimava um pouco." (Trecho extraído da coluna do jornalista Kennedy Alencar, da Folha OnLine)
Para não perder o pique, saiba a imprensa diz hoje:
"Depois de dois meses de acomodação, o ICC (Índice de Confiança do Consumidor) voltou a subir, alcançando o maior nível desde maio de 2008, o que mostra a confiança da população na recuperação da economia brasileira.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pela FGV (Fundação Getulio Vargas). O índice, composto por cinco quesitos contidos na Sondagem de Expectativas do Consumidor, teve elevação de 2,2% entre setembro e outubro, ao passar de 111,2 para 113,6 pontos, considerando-se dados com ajuste sazonal." (Extraído da Folha OnLine de hoje, 23 de outubro)
Pois bem! O presidente Lula está com a popularidade em alta não é por acaso. Sabe o que distingue Lula da maioria dos políticos. Lula fala o que sente. Foi assim com uma comparação não muito feliz em que, na entrevista concedida à Folha, cita Jesus Cristo ao lado Judas, um trador, para ilustrar o chiqueiro em que se transformou a política. Realmente, a iniciativa não foi das melhores.
Mas Lula nunca escondeu um de seus defeitos: falar demais. Certa feita, disse que o ser humano tinha dois olhos, dois ouvidos, uma boca e um nariz. Ele, não. Tinha dois olhos, dois ouvidos, um nariz e DUAS BOCAS.
O que ninguém aguenta é político de oposição criticar o presidente. Tenha dó. O povo não é besta, não!!!
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