terça-feira, 13 de outubro de 2009

Projeto Ficha Limpa: há deputados e senadores no meio do caminho

Li na edição de segunda-feira do jornal Estado de Minas notícia que confirma, e reafirma, a tendência do brasileiro de sentir nojo de política. Não é segredo para ninguém que o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral amealhou 1,3 milhão de assinaturas necessárias para apresentação no Congresso Nacional de projeto de lei de inciativa popular - o 2º da história do país; o 1º foi o que criminalizou a compra e venda do voto e o uso da máquina administrativa, a chamada Lei 9840 -, que torna inelegíveis candidatos condenados em 1ª instância na justiça.

Pois bem. Algo um tanto digno em se tratando de Brasil, onde a política virou foro privilegiado para pessoas de má índole que, na maioria das vezes, encaram o mandato conseguido nas urnas como emprego milionário ou trampolim para galgar cargos cada vez mais elevados na administração pública, descaradamente loteada. É a esperteza pela esperteza. Então, a legalização de procedimento que, em princípio, deveria automaticamente integrar a conjuntura política, sem necessidade de ser formalizada, até por questão de lógica, torna-se ponto imperioso e merecedor de efusivos elogios, aplausos.

Só que, como diria o poeta maior Carlos Drumond de Andrade: "há uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho há uma pedra". Segundo dados do instituto Transparência Brasil, nada menos que 1/3 dos parlamentares brasileiros enquadram-se tal qual luva na condição de "ficha suja", conforme o projeto de lei que já tramita no Congresso. A situação piora quando se tem por base apenas deputados federais e senadores. Deles, 40% chafurdam na lama.

Daí a pergunta que não quer calar. Será que os "nobres" (sic) representantes do povo votarão contra si mesmos? A resposta imediata é não, claro que não, vez que, nos últimos tempos, aquelas casas legislativas nem de longe recordam a missão em prol do bem comum que devem cumprir. Ao contrário. A impressão é que ali prevalecem os interesses toscos, particulares.

Felizmente, no Brasil ainda há a pressão popular que, muito bem, pode ser insuflada pela imprensa a cobrar do Congresso um resquício de bom senso, com a aprovação do projeto. Se assim for, certamente nas próximas eleições haverá um ar de limpeza no ambiente... .

4 comentários:

Báh disse...

O problema é que ate hj o STJ nunca condenou nenhum desses politicos são sempre julgados e absolvidos ,ajudaria muito se pudessemos votar so nos fichas limpas.Limpeza geral no congresso já!

Valéria Borborema disse...

É isso aí, Báh. A indignação deve partir da sociedade. Apesar de ser difícil encontrar algum político "ficha limpa", há sempre esperança, não é? Obrigada pela visita. Volte sempre. Abração.

MARCO OLIVEIRA disse...

Cumprimento-a pelo assunto evidenciado e, que por sua vez, merece de todos nós brasileiros a valorização e o interesse devido. Faz-se necessário que unamos forças junto a instituições como a CNBB, AMAGIS, OAB, dentre outros, com o intuito de darmos um "basta" a esta hipocrisia que reina em todo o país. Vamos impedir que políticos com "ficha suja" e os "profissionais" se valham da "politicagem" para ludibriar este povo tão sofrido. MARCO OLIVEIRA - PIRAPORA/MG

Valéria Borborema disse...

É verdade, Marco. Se o povo não se movimentar, a situação do país não muda de jeito nenhum. Não devemos, nem podemos, esperar algo de bom dos políticos que, por muitas vezes, já provaram a que vieram. É preciso, sobretudo que a população tome conhecimento de fatos dessa natureza para pressioná-los a uma atitude de dignidade. Obrigada pela visita. Volte sempre.