Uma vez rei, sempre majestade. Assim pode ser definida a série de filmes Indiana Jones. O quarto deles, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, consegue manter a qualidade dos três primeiros, com ação, fino humor e boas interpretações, sobretudo de Harrinson Ford, que aparece pra lá de cinquentão, mas conserva o vigor e o charme como se 20 tivesse. Dessa vez, doutor Jones é impelido a ir para a América do Sul à procura da caveira de cristal. Ao contrário da trilogia inicial, que se passa na década de 30, o tempo anda para os deliciosos anos 1950, percebidos logo no começo, sob o embalo de Hound Dog, hit de grande sucesso de Elvis Presley. Além de Ford, há que se destacar a brilhante direção de Steven Spielberg, o mago da ficção científica, e responsável por efeitos especiais impressionantes. Vale a pena locar o DVD, comprar coca-cola e pipoca para apreciar mais um trabalho que enche os olhos, lançado em maio de 2008. Sem medo de cometer injustiças, o único similar do gênero que pode ser equiparado a Indiana Jones é a trilogia De volta para o futuro, com os excelentes Michael J. Fox e Cristopher Lloyd. Embora em De volta, observe-se pequena queda de qualidade nos dois últimos filmes. Nada, entretanto, que macule a iniciativa. Afinal, lá também tem assinatura de Steven Spielberg.
Dica de Cinema
Você faria parte de complô para matar Adolf Hitler? A resposta óbvia hoje não era assim tão clara nos anos 1943 e 1944, quando a Alemanha experimentava o terrível peso do revés e começava a perder forças para os aliados. Talvez esse misto de amor e ódio pelo führer que, apesar de ter lançado o país no inferno da guerra, continuava líder, dono de uma persuasão incrível, norteie e dê vida à produção de U$ 75 milhões. A ambiguidade é percebida, por exemplo, na lágrima que teima em escorrer na face da jovem integrante dos sitema de comunicação do Ministério da Guerra ou no ar estupefado do belo major das SS em Berlim ou mesmo em meio aos conspiradores, quando chega a notícia de que Hitler havia sido assassinado. O fato foi desmentido depois, mas o estupor que causou, sinceramente, extrapola qualquer explicação fácil e simples sobre o que realmente ocorreu na coração do povo germânico naqueles anos impressionantes do nazismo. O sentimento bipartido certamente é o grande trunfo de Operação Valquíria, de 2008, que não chega a encher os olhos, mas convence com cenas bem produzidas, sobretudo as tomadas aéreas. Além disso, na época de seu lançamente, o protagonista Tom Cruise - aliás, é interessante observar Cruise fora de seu contexto natural de galã; no filme, o coronel Stauffenberg não tem um olho, uma mão e três dedos da outra - correu mundo para apresentar a película como alavanca da United Artistis, lendário estúdio de Hollywood surgido em 1919 e que teve como um de seu fundadores Charles Chaplin. Desde que Cruise e sua sócia Paula Wagner reuniram-se com a diretoria da Metro-Goldwyn-Mayer, outro monstro sagrado da capital do cinema, a UA funciona como subsidiária da MGM. Em resumo, Operação Valquíria recorda o famoso atentado de junho de 1944, o último de uma série de 15 que atormentou o führer até o suicídio, em 1945. Participaram do ato oficiais do exército alemão. Faltou à história, porém, suprir o vácuo deixado pela participação do antológico marechal de campo Erwin Rommel, a Raposa do Deserto, que comandou o destacamento Afrika Korps no Norte da África. Rommel foi um dos mais brilhantes oficiais de Hitler, respeitado tanto por seus subordinados quanto por seus inimigos. Ele morreu assassinado em outubro de 1944, justamente por ligações com o grupo que armou o atentado de 1944.
Dica de cinema
"Apocalypse Now" é um dos filmes mais extraordinários da história do cinema. Lançado em 1979, retornou às salas de projeção em 2001, no formato redux, com 49 minutos de acréscimos. Explica-se. O diretor Francis Ford Coppola sucumbiu, no final da década de 70, às exigências do Hollywood, tradicionalmente mais interessada em agradar as massas do que propriamente os artistas. O longa de 153 minutos que chegou às telas em 1979 perdeu um pouco da acidez crítica, presente nas cenas retiradas do orignal. Nada que apagasse o brilho da obra-prima de Coppola, mas que, 22 anos depois, trouxe para a realidade a impossível tarefa de melhorar algo já maravilhoso e que, a partir de então, tornara-se sublime. A antológica missão do capitão Willard, de caçar o general Kurtz, desertor do exército dos Estados Unidos na guerra do Vietnã, aprimorou, então, o que já era produto de uma improvável - e bem sucedida - mistura de beleza, horror e asco. Tudo junto, numa miscelânia que, em contexto normal, dificilmente encontraria a fórmula ideal para dar certo. A não ser que a genialidade de alguém interferisse na lógica, como, a propósito, ocorreu com a direção fantástica de Coppola, que extraiu do pavor o fino néctar do encanto trágico. Um dos momentos que Apocalypse... ganhou no redux embase bem essa constatação. Numa espécie de residência, que se destacava em meio à destruição advinda do conflito, morava uma família de franceses que teimava em viver como se nada acontecesse do lado de fora. Para prestigiar o capitão Willard, ofereceu-se um jantar à luz de velas e prataria fina, num contraste delicioso da opulência com a miséria ao redor. Após seca gargalhada, o anfitrião disparou: "vocês lutam pelo maior nada da história". Um silêncio, então, pairou e parou o ambiente. A poucos quilômetros dali, o temido general Kurtz, interpretação magistral de Marlon Brando, arretabata o trabalho de Coppola. Alto, gordo e careca, Brando aparece sob a penumbra, que apenas lhe dá forma ao corpanzil. Nada mais adequado, pois, afinal, qual a melhor maneira de descrever a guerra senão o escuro sinistro? Brando, entretanto, extrapola sua condição de mero coadjuvante e deixa mudo, quase que em transe, o pobre cinéfilo, quando começa a declamar os versos que TS Eliot encravou na monumental construção de "Os homens ocos". Tudo para descrever o horror, o horror da morte que Coppola transforma em puríssima arte. Na verdade, Apocalypse Now desglamouriza da guerra. Ainda no elenco Martin Scheen e Robert Duvall. Ganhou oscar de melhor fotografia e melhor som.
Dica de Cinema
"Império do Sol" é um filme de 1987 que retrata a 2ª Guerra Mundial vista sob o ângulo de uma criança. A obra do consagrado diretor Steven Spielberg possui cenas inesquecíveis, que tocam fundo a alma da gente. Dizem que a arte não precisa de palavras para se impor. De fato, essa constatação pode ser observada em Império do Sol, que em vários grandes momentos arranca lágrimas do cinéfilo, deliciosamente indefeso e arrebatado pela magnitude das imagens. O choro, então, vem como uma espécie de resposta ao inquietante silêncio artístico, na verdade um dom que transcende a mera comunicação verbal para alcançar, digamos, sob a perspectiva do príncipe Hamlet, de Shakespeare, "o coração do coração" de quem aprecia o belo com a lente da sétima arte. No elenco, Christian Bale e John Malckovich.
Dica de Cinema
O filme "O curioso caso de Benjamin Button" foi lançado no dia 16 de janeiro de 2009. Aclamado pela crítica, a produção de David Fincher narra a inusitada história de um homem que nasce aos 80 anos e, à medida que o tempo passa, rejuvenesce. Mais do que uma obra de ficção, baseada no livro homônimo de F. Scott Fitzgerald, parece que a intenção da película é descrever a luta inglória que o ser humano sempre trava com o tempo. Daí a conclusão trágica de que, seja na velhice senil ou na infância débil, o tempo a tudo vence de forma inexorável. Alheio à desilusão, entretanto, o alento da arte que, em O curioso caso..., traz como pano de fundo a história cheia de rugas e caduca - observadas nas duas guerras mundiais que destroçaram países e corações - a renascer no encanto das baladas do Beatles. A crítica considerou-o melhor que o festejado Forrest Gump, também um sutil desdém para com o tempo, só que, se comparado ao resultado do trabalho de Fincher, soa lamentavelmente um tanto superficial. Vale a pena não só ir ao cinema, mas locar ou mesmo comprar o DVD. No elenco o ótimo Brad Pitt, acompanhado de Cate Blanchett, Kimberly Scott, Jason Flemyng, Taraji Henson, Elle Fanning, Mahershalalhashbaz Ali, Emma Degerstedt.
Dica de Cinema
Você é dessas pessoas presas às convenções ou procura viver de acordo com sua consciência e dentro do que acha ser a felicidade? Bem, seja qual fora a opção escolhida, vale a pena assistir ao filme "A época da inocência". Um drama dirigido por Martin Scorcese e lançado em 1993. A história acontece na Nova York de 1870, quando a então pequena cidade existia à guisa de preceitos estabelecidos por famílias tradicionais. Um ambiente hipócrita, vazio a representar a fragilidade das aparências, mas, ainda assim, pomposo. É num local assim que o jovem advogado Newland apaixona-se pela condessa Olenska, recém-chegada da Europa, sob o peso de um casamento desfeito. Ele próprio não se encaixava bem naquele mundo falso, mas suportava a realidade. Até pretendia casar-se com a doce e resignada May, prima da condessa Olenska. Um homem dividido entre a certeza de uma vida pacata e previsível, ao lado de May, e o mistério que certamente envolveria uma possível união com Olenska. A força do caráter obrigou-o a abrir mão de encontrar sentido na vida. Uma decisão que o levou à amarga conclusão de que, na verdade, estava morto há muito tempo. Trata-se de uma boa oportunidade para pensar se nos adequamos às regras sociais por convenção ou convicção. A resposta dirá se somos ou não felizes.
Dica de Cinema
Existem histórias que sempre terão lugar no coração daqueles que, sejam crianças ou adultos, conservam dentro de si a capacidade de sonhar. Peter Pan é um exemplo típico. O filme de 2003 apresenta uma nova e bem montada versão da trajetória do menino que morava na Terra do Nunca e se recusava crescer. São belíssimas as imagens, algumas de tirar o fôlego. A produção dirigida por P.J. Hogan apresenta a magia que pode haver mesmo quando o bem defronta-se com o mal. Basta pensar coisas alegres que você vai até as alturas, garante Peter à menina Wendy, ansiosa por aprender a voar. Uma fórmula que, a propósito, encaixa-se como luva na vida que, muitas vezes, retira da pessoa a esperança em dias melhores. O cinema de hoje oferece gratas surpresas, mas na conta de exceção. Ironicamente, a alta tecnologia tem tirado da sétima arte o dom de fazer sonhos. Tanto é assim que, salvo gratas surpresas como o desenho animado "A Era do Gelo 1 e 2", o cinema não cria mais histórias que calam fundo na alma. Parece que esgotou a novidade. E quando tenta, recorre a subterfúgios no mínimo esquisitos. Caso do filme "Crespúculo", um lançamento de 2008 que narra a as peripécias de um jovem vampiro e sua paixão por uma mortal. Fica difícil encantar-se com o sinistro, ainda que ele apresente-se com elegância e boa aparência. Voltando a Peter Pan, vale a pena regozijar-se com a maravilhosa aventura de um garoto que, quem sabe, ainda esteja adormecido em cada um de nós.
Dica de Cinema
Na verdade, o filme "A Feiticeira" poderia ter sido bem melhor. Peca em muitos pontos como, por exemplo, o vazio sobre o passado de Isabel (Nocole Kidkman) ou o silêncio em torno de sua mãe, além de uma confusão entre a série produzida dentro do filme e a realidade do filme propriamente dito. A película lançada em 2005, com direção de Nora Ephron, vale somente pelo saudosismo que gera nos fãs do inesquecível seriado "A Feiticeira", que a TV americana veiculou de 1964 a 1972 e que outras emissoras, como a Rede Globo, no Brasil, retransmitiu em meados da década de 70. Sem dúvida, um dos belos momentos da TV mundial. Pena que o filme esbarrou em sérios limites para honrar a impagável história de Samantha, uma jovem feiticeira que vive em dois mundos, o sobrenatural e o terreno. Apesar da condição de feiticeira, Sam tenta levar adiante o casamento com um mortal. Personagens como Endora (Agnes Moorehead), Doutor Bombay (Bernard Fox) e Tio Arthur (Paul Lynde) fizeram história com as cenas impagáveis de humor que protagonizaram. Repita-se. O filme é ruim, mas vale por recordar e até passar alguns momentos de "A Feiticeira" original.
Dica de Cinema
Os desenhos animados "A era do gelo" (2002) e "A era do gelo 2" (2006) são boa oportunidade de entretenimento para quem anda com saudades das comédias de costume, que fazem de situações simples, cotidianas, motivo de boas gargalhadas, temperada com fina emoção. O primeiro foi dirigido por Chris Wedge e narra a chegada do período glacial, ambiente propício para o encontro de três animais: o mamute Manfred, o bicho preguiça Sid e o tigre dente de sabre Diego. O trio inusitado, então, torna-se a tábua de salvação de um garotinho com poucos meses de vida, que perdera a mãe. O destaque fica por conta do preguiça Sid, desses personagens impagáveis que, mesmo após o "the end", insiste em permanecer na mente do cinéfilo. A seqüência "A era do gelo 2", de Carlos Saldanha, conta a catástrofe do derretimento das geleiras e conqüente inundação da Terra. Dessa vez, o mamute Manfred encontra uma companheira que, na verdade, pensa que é um gambá. Novamente Sid torna-se o centro das atenções. Uma delícia.
Dica de Cinema
Filme que encerra a mais famosa trilogia do cinema, "O Poderoso Chefão III", de 1990, também sob a batuta de Francis Ford Coppola, dá vida a um boato surgido no final dos anos 70, após a morte do Papa João Paulo I. Segundo uma das lendas que correram mundo, sobretudo em virtude do pouquíssimo tempo do sucessor de Paulo VI na cadeira de Pedro, apenas 33 dias, foi que o Sumo Pontífice teria sido envenenado. Coppola aproveitou-se disso para anexar a suposição ao escândalo do Banco Ambrosiano, então uma das maiores instituições financeiras privadas da Itália e que inseria Vaticano entre os seus principais acionistas. A película descreve o interesse de Dom Michael Corleone (Al Pacino) em adquirir ações do banco, por força da influência de um Cardeal americano, representante da Igreja no conselho da instituição. A película descreve o envolvimento do presidente do Ambrosiano em lavagem de dinheiro, fato que levara o banco à bancarrota e a uma série de assassinatos, inclusive do próprio e do Papa Sorriso. Na época, foi largamente divulgada na imprensa a execução do banqueiro Roberto Calvi, jogado de uma ponte, em Londres, com pedaços de tijolos nos bolsos, teoricamente a mando da máfia italiana. Além desse singelo toque de realidade, Coppola apresenta alguns chefões do crime organizado a questionarem sobre suas vidas à margem da lei. O terrível, entretanto, é que, por mais que quisessem, o passado jamais permitiria que suas consciências alcançassem a liberdade. E Miachael Corleone sabia disso. Sabia que o caminho que escolhera era sem volta...
Dica de Cinema
"O Poderoso Chefão II", de 1974, narra a trajetória de Michael Corleone, sucessor de Dom Vito. Longe daquele rapaz sensível, que um dia freqüentara os bancos de uma universidade, Dom Michael Corleone tornou-se um chefão implacável, tão ou mais cruel que seu genitor. Apenas a presença da esposa Kay e dos filhos trazia à memória resquícios de um sonho que as circunstâncias da vida impediram de acontecer. A exemplo do primeiro filme, também aqui Francis Ford Coppola mostra o gênio que há em si. Alinhava muitíssimo bem as cenas, que se alternam entre o presente e o passado, na construção da infância e juventude de Vito Corleone, agora interpretado por Robert de Niro, que faz questão de criar uma linha harmônica com o velho Dom Vito de Marlon Brando. A começar pela inconfundível voz rouca e bonachona. O entrelaçamento do agora com o ontem foi a forma que Coppoca encontrou para explicar fatos novos, que desencadearam uma crise em meio às famílias que controlavam a máfia nos Estados Unidos. O golpe maior cairia sobre Michael cujo faro de raposa para detectar traição, que herdara do pai, prenunciava a dor de se ver apunhalado por gente de sua própria família. Interessante ainda a rápida passagem que Coppola faz numa Cuba prestes a sucumbir diante da fúria guerrilheira de Fidel Castro e que, um pouco antes, apresentara-se na condição de terreno fértil para a máfia.
Dica de Cinema
A saga da família Corleone é um marco na história do cinema. O diretor Francis Ford Coppola consegue injetar doses certeiras de crueldade e fino humor na história de um dos chefes da máfia italiana nos Estados Unidos que, nas décadas de 30 e 40, opõe-se à ampliação dos negócios - que envolvem desde o contrabando de bebidas e armas até prostituição - para as drogas que, àquela algura, apresentavam-se como uma rentável alternativa de lucro. Hilário quando os chefões das famílias debatem sobre a conduta ética que teriam para a distribuição do produto. O cuidado de se preservar as crianças era um desses procedimentos. Mais hilário ainda é quando Dom Vito Corleone, interpretado de forma magistral por Marlon Brando, cita um dos motivos que o impedem de aprovar a expansão dos negócios. "A Igreja proíbe", alerta o homem de voz rouca e ar de bonachão. Mas "O poderoso chefão", de 1972, mostra outras nuances do mundo do crime. Um dos exemplos é a resistência do caçula dos Corleone, Michael (Al Pacino), um universitário educado e sensível, em aderir ao jogo sujo de que sua família era parte. Compromissado com a bela Kay, Michael, entretanto, sucumbe aos poucos à herança genética - seu gênio equiparava-se muito ao do pai. Daí para suceder Dom Vito no comando dos Corleone foi um pulo. No final do filme, Michael já não guardava muita coisa do jovem idealista que um dia sonhara em ser uma pessoa honesta. Impagável na película também é a suposta alusão a Frank Sinatra, um artista em decadência que, devido a um empurrãozinho da máfia, consegue importante papel numa produção de Hollywood. A propósito, o filme seria "A um passo da eternidade", que alavancou a carreira de Sinatra, tirando-o do ostracismo.
Dica de cinema
"Um grito de liberdade" apresenta ao mundo ocidental, normalmente pouco interessado em divulgar o drama de países fora da América e Europa, a dura realidade sociopolítica da África do Sul. Durante 42 anos (de 1948 a 1990), ali vigorou o polêmico "Apartheid", regime imposto pela minoria branca para subjugar os negros. A história se passa em meados da década de 70 do século XX, quando o ativista negro Stephen Biko começa a incomodar os africânders (brancos) com idéias de liberdade de pensamento. A situação assume contornos mais perigosos a partir do momento em que o jornalista Donald Woods, editor de influente jornal, mostra a realidade cruel do "Apartheid". No elenco os ótimos Denzel Washington e Kevin Kline. A direção do filme de 1987 é de Richard Attenborough.
Dica de cinema
"Tolerância zero" é um filme denso e inteligente. O drama de 2001 consegue mostrar com clareza a falta de sentido do racismo. Ao mesmo tempo, apresenta a confusão interior de Danny, um belo rapaz judeu que rechaça sua condição de desecendente do povo eleito e se transforma num neo-nazista. Ele chega a chamar atenção de lideranças ultradireitistas, que pregam a falência do capitalismo e a imposição de regimes autoritários como solução para a crise. À medida que o tempo passa, entretanto, Danny começa a sentir o peso de suas raízes. Isso acontece, por exemplo, quando ele e um grupo de skinhead invadem uma sinagoga. Entre os atos detestáveis de que o templo é vítima, um cala fundo na alma de Danny, que não se contém quando os jovens pisam a Torá, o livro sagrado dos judeus. Basicamente, a película induz a uma reflexão sobre o episódio bíblico em que Abraão leva o filho Isac para o sacrifício, a pedido de Deus. A direção é de Henry Bean. No elenco estão Ryan Gosling (Danny), Summer Phoenix (Carla) e Billy Zane (Curtis).
Dica de cinema
Ao contrário do que possa parecer, "Paixão à flor da pele" não é um filme com cenas tórridas de sexo. Trata-se de um drama de 2004, que narra a história do jovem Mattew, empresário de Chicago, que, momentos antes de embarcar numa viagem a negócios, tem a impressão de reencontrar a mulher de sua vida, Lisa. O interessante da película, entretanto, é como o fato acontece, numa espécie de quebra-cabeça que, aos poucos, vai sendo montado. De forma que, cumpre alertar, até o último minuto de projeção ocorrem revelações deveras intrigantes. Vale a pena assistir à Paixão..., sobretudo por seu caráter romântico, que mostra ser possível cultivar e acreditar no amor ainda nos dias de hoje, quando a simplicidade de amar não raro aparece de maneira desfigurada. A direção é de Paul McGuigan e no elenco o destaque fica para Josh Hartnett (Mattew), Rose Byrne (Alex) e Diane Kruger (Lisa).
Dica de cinema
Por que o cachorro balança o rabo? Ora, porque o cachorro é mais inteligente do que o rabo. Se o rabo fosse mais inteligente, ele balançava o cachorro. É mais ou menos assim que começa "Mera coincidência", do diretor Barry Levinson. Recheado de fina ironia, a película de 1997 narra a estratégia de assessores do presidente dos Estados Unidos para desviar a atenção pública de escândalo na Casa Branca. Embora a obra seja parte de uma guerra surda entre cinema e TV - a exemplo de "Nos bastidores da Notícia" e "O Quarto Poder", em que a sétima arte critica a telinha sem dó nem piedade -, "Mera coincidência" retrata uma verdade ensinada a todo acadêmico de jornalismo: as várias versões que um fato pode ter. Um tema delicioso e atualíssimo, sobretudo após o advento da internet e o mito da "notícia em tempo real". Bem produzido, o filme traz no elenco outro grande trunfo. Robert de Niro e Dustin Hoffman estão impagáveis nos papéis do assessor do presidente e do cineasta que cria uma guerra fictícia para abafar um "affair" do homem mais poderoso do mundo. Vale a pena assistir, mas se prepare para despertar de uma letargia...
Dica de cinema
Só para variar, Michael Douglas arrebenta no papel do banqueiro Nicholas Van Orton, bilionário e arrogante. "Vidas em jogo", de 1997, conta uma história intrigante em que o personagem principal se vê na iminência de participar de um jogo misterioso. É um filme de cunho existencial que, a todo momento, insiste em convidar o cinéfilo a rever sua própria trajetória de vida e, se for o caso, transformar o fel em mel. A exemplo do que acontece com Van Orton, capaz de demitir um velho amigo de seu pai e que dirigia uma de suas empresas, simplesmente para fazer subir a cotação das ações da firma. Mas quando aceita o desafio que lhe cai no colo, com o jogo, Orton tem a chance de voltar a ser gente. Algo que havia esquecido assim que adotou um "modus vivendi" pouco ortodoxo. Usufruía do convívio social apenas para tirar proveito. Hábito que lhe custou caro, sobretudo no momento em que, desprovido de tudo, inclusive do conforto material, precisou do apoio humano. Um excelente trabalho do diretor David Fincher.
Dica de cinema
O filme do diretor Raja Gosnel não tem grandes pretensões. Ao que parece, "Nunca fui beijada" pertence a uma série de produções atuais, como "Recém-casados", de 2003, que, se não deseja amealhar estatuestas Hollyood afora, oferece ao cinéfilo, ou a quem, despreocupadamente, colocar-se diante da TV ou for ao cinema, uma oportunidade de matinê. Bom se for regada a pipoca e coca-cola. Trata-se de uma comédia romântica de 1999 em que uma jovem repórter, reprimida em seus sentimentos, agarra com unhas e dentes a chance de fazer matéria sobre a vida no colegial. Para isso, entretanto, penetra no mundo adolescente disfarçada. E o que era para ser mero trabalho faz com que Josie Geller (interpretada pela ótima Drew Barrymore, aquela da refilmagem de "As Panteras", lembra-se?) olhe para o próprio umbigo e enfrente traumas de quando, de fato, era uma colegial. Sem dúvida um bom divertimento, que consegue algo difícil de se encontrar no cinema de hoje e que era comum nos anos 40 e 50 do século passado: a leve sensação de que as coisas podem mudar, sim, basta querer.
Dica de cinema...
"O pianista" é desses filmes que permanecem grudados na lembrança do coração de quem o assiste. O drama se passa durante a 2ª Guerra Mundial e narra a história de um pianista judeu. Apesar da crueza de muitas cenas, sobretudo as que apresentam o famoso Gueto de Varsóvia, a película emociona pela beleza com que o diretor Roman Polanski reveste seu personagem principal, Wladyslaw Szpilman, e o amor dele pela arte de tocar piano. Sem desmerecer a totalidade da obra, valeria a pena ir ao cinema para apreciar uma única cena. A que o pianista - maltrapilho, alquebrado e faminto - encontra o instrumento objeto de sua adoração em meio aos escombros de uma casa. Depois de cuidadosamente limpar a poeira, levanta a tampa e, num esforço descomunal, desatrofia os dedos das mãos, àquela altura congelados devido ao inverno rigoroso. Começa então a acariciar as teclas e não percebe que, por detrás, aparece um jovem general alemão, belo, elegante e... encantado com a melodia dali emanada. Neste momento, cumpre advertir, é difícil conter as lágrimas diante de tanta sensibilidade... Numa palavra, "O pianista" mostra a guerra vista sob o ângulo de um artista. Imperdível.
Dica de cinema...
O filme "Tróia" entrelaça elementos como honra, coragem, glória e ambição na lendária história de amor entre um príncipe troiano e uma rainha espartana, na Grécia antiga. Traz algumas cenas memoráveis, dignas de menção. A que o príncipe Heitor, de Tróia, duela com o guerreiro Aquiles, de Esparta, é uma delas. Ou quando o rei Príamo, ajoelhado, beija as mãos de um atônito Aquiles e lhe pede 12 dias de trégua para velar o filho morto. É de tirar o fôlego. Sobre o período em que se passa o filme, basta recordar pensamento de um príncipe espartano, prestes a concluir os funerais de um grande guerreiro. "Se me perguntarem de época eu sou, responderei que vivi entre gigantes. Vivi na época de Heitor, o domador de cavalos, e de Aquiles." No elenco da película, lançada em 2004, Brad Pitt (Aquiles), Eric Bana (Heitor), Orlando Bloom (Páris) e Diane Kruger (Helena).
Dica de leitura
O afegão Khaled Hosseini consegue descrever com sutileza o horror da pedofilia. Para tanto, usa como cenário sua terra natal, onde os dias de paz estavam definitivamente contados. Nada, entretanto, que afetasse a amizade dos pequenos Amir e Hassan que, apesar das diferenças étnicas e sociais, construíram uma amizade sólida. Ainda que tudo parecesse desmoronar no inverno de 1975 e Amir tenha feito a escolha mais errada de sua vida, que acabaria por influenciar toda a sua existência. Numa narrativa solta, cativante, em "O caçador de pipas" Hosseini expõe as entranhas de um povo sofrido, a quem a sorte abandonara ao relento. Mas sempre há uma segunda chance para todos, inclusive para Amir e seu Afeganistão. Da editora Nova Fronteira.
Dica de leitura
"A menina que roubava livros" é um romance que fica cravado no coração, de onde, à semelhança da abelha na flor, retira um fino e delicioso néctar chamado esperança. Uma preciosidade que todos, sem exceção, deveriam desfrutar. O escritor australiano Markus Zusak narra a história da pequena Leslie, uma alemãzinha que, apesar de viver o horror da guerra, não perde a doçura. Mesmo quando tudo parece desmoronar, ela busca não sei onde, talvez nas páginas dos livros que caíram em suas mãos ou nos próprios manuscritos de sua autoria, a força para continuar a vida. Uma candura tão grande que encanta o mais terrível dos observadores: a morte, a quem cabe descrever - com maestria, diga-se de passagem - a trajetória de Leslie. Da editora Intrínseca LTDA.
Dica de leitura...
Com essa verdadeira preciosidade, o Rabino Harold Kushner oferece rara oportunidade de reflexão em torno de existência humana num mundo imediatista, onde tudo parece descartável. Ele questiona a preponderância do ter sobre o ser. E o faz por meio de dois caminhos igualmente fascinantes: sua história pessoal e Eclesiastes, que Kushner classifica de "o livro mais perigoso da Bíblia". De quebra, o leitor pode mergulhar um tantinho assim na cultura judaica. "Quando tudo não é o bastante" é lançamento da editora Nobel. Um best-seller dos mais festejados.
Dica de leitura...
Eu ainda não li, mas os indícios são muito favoráveis ao livro "Operação Araguaia - Os arquivos secretos da Guerrilha". Creio que todos aqueles que se interessam pela história do país em que vivem - e que sobretudo almejam um futuro mais justo, e com memória, para seus filhos e netos - não se arrependerão de folhear o livro-reportagem dos jornalistas Taís Morais e Eumano Silva que, sem meias-palavras, remontam esse terrível episódio da vida nacional, por meio de exaustiva pesquisa, levada a cabo ao longo de sete anos. Eles revelam arquivos secretos da Guerrilha do Araguaia, acontecimento que os fomentadores da ditadura militar, que se abateu sobre o Brasil entre 1964 e 1984, tentam ainda esconder. Como se os fatos não gritassem por si mesmos. Saiba mais aqui (http://geracaobooks.locaweb.com.br/loja/product_details.php?id=205)
Uma paixão
O Cruzeiro Esporte Clube tem raízes italianas. Nasceu em 1920, com o sugestivo nome de Societá Sportiva Palestra Italia. Mas foi em 1942 que se concretizou o sonho de o time ser genuinamente brasileiro. Primeiro como Ypiranga e depois como o glorioso Cruzeiro Esporte Clube.
Uma lembrança
Elvis Presley, o rei do rock n'roll, foi um marco na música popular. Nas palavras do beatle John Lennon, antes de Elvis não existia nada. Ele mundializou o rock que, até então, restringia-se à comunidade negra. Foram 21 anos de uma carreira vibrante. Com seus altos e baixos, é verdade, mas inovadora e surpreendente. Elvis morreu no dia 16 de agosto de 1977, com apenas 42 anos. Estava gordo e drogado. Sua voz, entretanto, reconheceu a crítica, adquirira os contornos do veludo...
Aprecie o belo
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Talento
Paulo Autran foi um dos grandes atores do teatro e da teledramaturgia brasileira. Ele considerava-se tímido, uma das razões que, acreditava, podia explicar seu sucesso artístico. Autran entendia que o introspectivo sentia-se melhor como outra pessoa. Daí a facilidade de interpretar. Entre os vários papéis que incorporou na TV, o italiano mau caráter Bruno Baldaracci deixou saudades. Ao lado de Glória Menezes, a Ana Preta, Autran viveu um dos célebres momentos da novela "Pai Herói", de Janete Clair. Protagonizou cenas memoráveis, que suscitaram boas gargalhadas. Mas o senhor dos palcos amava mais o teatro, onde encenou várias peças, entre as quais clássicos como "Otelo", de William Shakespeare, e "My fair lady", de George Shaw. Paulo Autran morreu no dia 12 de outubro de 2007. Seu lugar dificilmente será preenchido...
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