quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Braille bicentenário

No último dia 4 de janeiro fez 200 anos do nascimento do francês Louis Braille, criador do sistema de leitura para cegos que recebeu seu sobrenome, Braile. Ainda pequeno, com apenas três anos, Louis feriu gravemente os olhos quando brincava na oficina de seu pai, um fabricante de arreios e selas. Ficou totalmente cego. Seus pais e o padre amigo da família esforçaram-se para que a criança, apesar da deficiência, tivesse uma educação o mais normal possível.

E Louis não decepcionou. Sempre demonstrou enorme facilidade de aprender. Daí que o pequeno acabou por ganhar bolsa no Instituto Real de Jovens Cegos de Paris e iniciar trajetória rumo à descoberta do revolucionário sistema que facilitaria àqueles com dificuldade e perda completa da visão o acesso ao conhecimento. Certa vez, Louis escreveu em seu diário o seguinte raciocínio: "Se os meus olhos não me deixam obter informações sobre homens e eventos, sobre ideias e doutrinas, terei de encontrar uma outra forma." Ele morreu vítima de tuberculose, com apenas 43 anos, em 1852.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Elvis setentão

Se estivesse vivo, Elvis Presley completaria nesta quinta-feira, 8 de janeiro, 73 anos. Difícil imaginar o rei do rock n'roll setentão. Acima, um vídeo em que o jovem Presley canta seu primeiro grande sucesso, o inesquecível Heartbreak Hotel, em meados da década de 50 do século passado, quando a fama despontava por meio da gravadora RCA, uma potência da época. Elvis era considerado o branco de voz negra. Isso porque o rock nascente, sob forte influência do blues, restringia-se ao universo negro. Pode-se dizer então que o garoto caminhoneiro de Memphis, no Tennessee, mundializou aquele fascinante e revolucionário gênero musical. A exemplo do samba, jazz, blues e outros, o rock surgiu nas senzalas.

"O Encouraçado Potemkin", uma obra-prima do cinema

Com direção de Sergei Ensenstein, o filme de 1925 narra a história da Revolução de 1905 na Rússia dos czares. A película impressiona porque, apesar de ter sido feita no início do século passado, quando o cinema ainda engatinhava, ensaiava seus primeiros passos rumo à megaindústria em que se transformaria sobretudo a partir do final da década de 30, apresenta cenas que até hoje servem de inspiração para grandes nomes da sétima arte. Uma delas é a conhecidíssima "Escadaria de Odessa", especialmente focada no vídeo acima. Bom proveito diante da oportunidade de apreciar uma obra-prima... .

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A história há de julgar com lisura

Lamentável a execração pública a que é submetido o ex-prefeito Athos Avelino. Sua administração não foi perfeita. Perfeição que, aliás, ainda não alcançou o status do realizável no mundo tangível, e que consiste, sim, na referência a guiar os passos dos homens bem intencionados, de modo a levá-los a cumprir dignamente o que se propuseram, dentro de suas limitações humanas e no contexto que os cerca. Ao que consta, Athos Avelino jamais abandonou a conduta ética e transparente na vida pública.

Assim que chegou à Prefeitura, liberou ações que melhoraram substancialmente a educação no município. Prédios foram reformados, duas ou três grandes escolas construídas, novos equipamentos de informática e didáticos entregues a quem de direito, oferecida merenda escolar de boa qualidade - com parte dos produtos adquirida diretamente de pequenos produtores, via programa de compra antecipada, do Governo Federal -, regularização de concurso público feito na gestão anterior e que viabilizou a contratação de professores pela ordem de classificação para o preenchimento de vagas antes ocupadas por designados, não-concursados. Isso só para citar alguns exemplos, também verificados na saúde, na ação social e noutras áreas consideradas estratégicas em qualquer governo. Não se pode esquecer a revitalização do Parque Municipal e do Zoológico, até então sucateados, e a confiança dos governos Estadual e Federal, que trouxeram para cá dois projetos gigantes: a Estação de Tratamento de Esgoto, que garantirá 100% de esgoto e água tratados; e a Usina de Biodiesel, salvo engano uma das três autorizadas no Brasil.

Cumpre ainda mencionar a corojosa encampação da Governança Solidária, um modelo de gestão participativa que pretendia reformular radicalmente a relação Prefeitura/cidadão. O município foi dividido em 13 pólos, inclusive o rural, com uma Unidade Administrativa Intersetorial (UAI) na condição de sede em cada um deles. O objetivo era a dificílima missão de chegar de forma eficaz às bases, ao povo propriamente dito e conhecer seus anseios, suas necessidades, via orçamento participativo e outros mecanismos que garantissem o diálogo permanente com os montes-clarenses. Os frutos visíveis da iniciativa certamente começariam a aparecer logo. Uma ousadia que representava riscos, como toda ação inovadora, mas também sinalizava para a possibilidade real - por que não? - do sucesso de um canal direto da população com o poder público municipal.

Athos Avelino não agradou todo mundo. Algo tão impossível quanto se exigir perfeição de uma máquina burocrática e cheia de vícios como a pública. Houve erros e acertos. Agora, maximizar iniciativas que não alcançaram o sucesso esperado, em detrimento das muitas exitosas, é no mínimo temerário. A honra de um homem constrói-se no tempo, a partir de atitudes condizentes com sua existência - levando para longe a hipocrisia pestilenta - e que lhes deu condições de tornar mais nítidas e belas as cores do mundo que o rodeiam. A verdade pode tardar, encoberta por mancha feia e cinzenta durante determinado período. Ela sempre prevalece porém, tal qual o sol submerso em grossas nuvens. Passada a tempestade, o astro-rei ressurge, sem nenhuma mácula, a espalhar os raios solares aos quatro cantos. Caberá à história julgar com lisura o médico Athos Avelino que, de 2005 a 2008, foi prefeito de Montes Claros.