Lamentável a execração pública a que é submetido o ex-prefeito Athos Avelino. Sua administração não foi perfeita. Perfeição que, aliás, ainda não alcançou o status do realizável no mundo tangível, e que consiste, sim, na referência a guiar os passos dos homens bem intencionados, de modo a levá-los a cumprir dignamente o que se propuseram, dentro de suas limitações humanas e no contexto que os cerca. Ao que consta, Athos Avelino jamais abandonou a conduta ética e transparente na vida pública.
Assim que chegou à Prefeitura, liberou ações que melhoraram substancialmente a educação no município. Prédios foram reformados, duas ou três grandes escolas construídas, novos equipamentos de informática e didáticos entregues a quem de direito, oferecida merenda escolar de boa qualidade - com parte dos produtos adquirida diretamente de pequenos produtores, via programa de compra antecipada, do Governo Federal -, regularização de concurso público feito na gestão anterior e que viabilizou a contratação de professores pela ordem de classificação para o preenchimento de vagas antes ocupadas por designados, não-concursados. Isso só para citar alguns exemplos, também verificados na saúde, na ação social e noutras áreas consideradas estratégicas em qualquer governo. Não se pode esquecer a revitalização do Parque Municipal e do Zoológico, até então sucateados, e a confiança dos governos Estadual e Federal, que trouxeram para cá dois projetos gigantes: a Estação de Tratamento de Esgoto, que garantirá 100% de esgoto e água tratados; e a Usina de Biodiesel, salvo engano uma das três autorizadas no Brasil.
Cumpre ainda mencionar a corojosa encampação da Governança Solidária, um modelo de gestão participativa que pretendia reformular radicalmente a relação Prefeitura/cidadão. O município foi dividido em 13 pólos, inclusive o rural, com uma Unidade Administrativa Intersetorial (UAI) na condição de sede em cada um deles. O objetivo era a dificílima missão de chegar de forma eficaz às bases, ao povo propriamente dito e conhecer seus anseios, suas necessidades, via orçamento participativo e outros mecanismos que garantissem o diálogo permanente com os montes-clarenses. Os frutos visíveis da iniciativa certamente começariam a aparecer logo. Uma ousadia que representava riscos, como toda ação inovadora, mas também sinalizava para a possibilidade real - por que não? - do sucesso de um canal direto da população com o poder público municipal.
Athos Avelino não agradou todo mundo. Algo tão impossível quanto se exigir perfeição de uma máquina burocrática e cheia de vícios como a pública. Houve erros e acertos. Agora, maximizar iniciativas que não alcançaram o sucesso esperado, em detrimento das muitas exitosas, é no mínimo temerário. A honra de um homem constrói-se no tempo, a partir de atitudes condizentes com sua existência - levando para longe a hipocrisia pestilenta - e que lhes deu condições de tornar mais nítidas e belas as cores do mundo que o rodeiam. A verdade pode tardar, encoberta por mancha feia e cinzenta durante determinado período. Ela sempre prevalece porém, tal qual o sol submerso em grossas nuvens. Passada a tempestade, o astro-rei ressurge, sem nenhuma mácula, a espalhar os raios solares aos quatro cantos. Caberá à história julgar com lisura o médico Athos Avelino que, de 2005 a 2008, foi prefeito de Montes Claros.