sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Com o coração na mão

Entre os setores afetados pela crise econômica que varre o planeta desde meados do ano passado está a inigualável indústria de entretenimento dos Estados Unidos. Aquela que um dia os filósofos marxistas Theodor Adorno e Max Horkheimer adjetivaram de "indústria cultural" - numa tentativa de classificar a produção, reprodução e difusão de bens culturais, tudo cuidadosamente armado para controlar as massas - abarca o mercado editorial, fonográfico, televisivo (aberto e fechado), cinematográfico e, claro, a imprensa (jornal, rádio, TV, revista, agência de notícia e internet) .

Só para se ter ideia do que isso significa, dados da última edição da revista Veja apontam que somente o mercado editorial, responsável pelo comércio anual de 1 bilhão de exemplares, amargou em novembro de 2008 queda de 13% nas vendas. Enquanto o setor musical, que atravessa violento revés com o advento da internet e a quase sacramentada substituição do CD, prepara-se para outro tombo. No ano passado, Hollywood amealhou U$ 20 bilhões, mas a previsão para 2009 não é das melhores. Analistas crêem que a produção de filmes norte-americanos despencará algo em torno de 30% no período.

Noutras palavras, os amantes da cultura pop estão com o coração na mão. Foto Pedrobeck

Extinção de Guantánamo questionada

O decreto que o presidente Barack Obama assinou para extinguir a prisão instalada desde 2002 na base militar de Guantánamo, em Cuba, suscita agora questionamentos. Tudo porque um ex-detento do local, o saudita Said Ali al Shihri, supostamente seria hoje o vice-líder da rede terrorista Al-Qeda, acusada de planejar e executar os ataques de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos. A imprensa noticiou que Shihri estaria envolvido no recente ataque a bomba à embaixada norte-americana no Iêmen.

O The New York Times aborda o fato e levanta sombras sobre a eficácia da decisão de Obama. O tradicional jornal teme o que pode ocorrer ante a possibilidade de que parte dos 245 atuais detentos, na verdade criminosos de guerra suspeitos de envolvimento com o terror, seja solta em breve. Shihri ganhou a liberdade há dois anos, após passar por reabilitação.

O imbróglio é o que se pode chamar de "faca de dois gumes". A necessidade de Guantánamo nunca convenceu ninguém. Obama teve coragem suficiente de determinar o prazo de um ano para seu fechamento e, conforme o caso, transferência de presos para centros de detenção nos EUA ou libertação, por meio de julgamentos justos, conforme pregam as leis internacionais de defesa dos direitos humanos.

Claro que existe risco de reincidência no segundo caso. Há que se perguntar, entretanto, qual das duas alternativas caberia melhor no contexto: manter o local, que já provou ser antro de tortura, ou arriscar uma mudança de procedimento, mais de acordo com a lendária defesa dos direitos humanos de que os EUA julgam-se tão adeptos. A possibilidade de atentados terroristas existe, independentemente de Guantánamo, e só será reduzida quando Tio Sam sentar-se à mesa com os países islâmicos para conversar de igual para igual, eliminando décadas de descaso pelos problemas do Oriente Médio e velado apoio a Israel, mal-visto na região. Ao que parece, é justamente isso que Obama pretende.

Questões morais: o calcanhar de aquiles do governo Obama?

Nunca foi segredo para ninguém as ideias progressistas do Partido Democrata, ao qual pertence o presidente recém-empossado dos Estados Unidos, Barack Obama. Isso significa dizer que a agremiação defende aborto, casamento gay, pesquisas com células-tronco embrionárias e por aí vai.

Obama foi eleito como esperança num cenário desolador, marcado sobretudo pelos desmandos de seu antecessor, George W. Bush, que, apesar do oportunismo de combater tais práticas, uma marca do Partido Republicano, mais conservador e tradicional, desrespeitou os direitos humanos com a criação da prisão de Guantánamo e outras atitudes asquerosas, jogando lama na história de liberdade e igualdade propagada pelos EUA, lançou a sociedade numa recessão só comparável à grande depressão de 1929 e iniciou duas guerras sangrentas, no Iraque e Afeganistão. Foram as questões morais, aliás, que deram a Bush seu segundo mandato, com o apoio irrestrito de católicos e protestantes. Há que se perguntar, então, valeu a pena? Acho que não.

Ontem, durante a marcha anual de repúdio à decisão da Suprema Corte dos EUA, que, em 1973, legalizou o aborto em território norte-americano, o presidente Obama divulgou nota em que reafirma que a decisão de 36 anos atrás "protege a saúde e a liberdade da mulher", além de representar o marco de que o governo não deve intrometer-se em assuntos familiares íntimos. Também frisou a urgência de se trabalhar para que sejam evitados a gravidez indesejada e, consequentemente, o aborto.

Particularmente, eu não bato palmas para esses liberalismos. Acho que a vida deve prevalecer em quaisquer circunstâncias. Mas, ao contrário dos republicanos, famosos por adotar medidas unilaterais, os democratas são propensos ao diálogo. E não há nada que uma boa conversa não resolva, não é mesmo? Portanto, nada de lamentos típicos de marido traído. O pensamento de Obama era conhecido e reconhecido. Ponto final.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Guantánamo já tem seu atestado de óbito

Agora é oficial. O presidente recém-empossado dos Estados Unidos, Barack Obama, de 47 anos, assinou hoje decreto que fecha a prisão que funciona na base militar americana de Guantánamo, em Cuba. O local ficou tristemente celebrizado pelo constante desrespeito aos direitos humanos infrigido aos mais de 240 priosioneiros de guerra ali enclausurados por suposto envolvimento com o terrorismo. O prazo para que isso ocorra é de um ano, período em que serão revistos todos os processos e proibidos quaisquer atos que violem a dignidade da pessoa, ou seja, a tortura. Além disso, Obama criou espécie de força-tarefa para encontrar centros de detenção para onde podem ser transferidos os prisioneiros de Guantánamo. Novos ares para um mundo que já não suportava mais os desmandos de George W. Bush, o gênio que criou Guantánamo... como medida de combate ao terrorismo.

Oscar: indicação póstuma pelo inesquecível Coringa de "Batman, o cavaleiro das trevas"

Além da emoção que costuma marcar as cerimônias do Oscar, neste ano a festa mais glamourosa do cinema terá um ingrediente especial para arrancar lágrimas de todos os que, de alguma forma, dela participarem. Um dos concorrentes a melhor ator coadjuvante é ninguém menos que Heath Ledger, que morreu há um ano e ficou imortalizado no papel do vilão Coringa, no filme "Batman, o cavaleiro das trevas".

O glamour do Oscar

No próximo dia 22 de fevereiro, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood realiza a entrega do Oscar, que já está em sua 81ª edição. Foi divulgada hoje a lista dos concorrentes à estatueta mais cobiçada do mundo, linda e exuberante como sempre.

Mas o glamour do cinema também inclui algumas indicações que, cá prá nós, não têm razão de ser. Caso, por exemplo, de Angelina Jolie como postulante à melhor atriz. Jolie devia conformar-se com "Lara Croft", da série Tomb Raider, uma espécie de versão feminina - muito mal acabada, diga-se de passagem, quase que capenga - de Indiana Jones. Para não dizer que Jolie não representa muito, ela é casada com Brad Pitt, esse, sim, um excelente ator e que compete pela atuação protagonista no ótimo "O curioso caso de Benjamin Button".

Aliás, o filme de David Fincher luta por nada menos que 13 estatuetas. Já é parte da história maravilhosa da sétima arte. Para se ter idéia do que isso significa, na história do Oscar, as três produções mais premiadas foram Ben Hur (de 1959), Titanic (1997) e O Senhor do Anéis - O Retorno do Rei (2003), com 11 estatuetas cada uma. O épico ...E o vento levou... (de 1939) conseguiu 10 oscar para um total de 15 indicações. O primeiro Oscar foi entregue em 1929.

A seguir, as indicações 2009:

Melhor filme
"O Curioso Caso de Benjamin Button""Frost/Nixon"
"Milk - A Voz da Igualdade"
"O Leitor"
"Quem Quer Ser um Milionário?"
Melhor diretor
Stephen Daldry, por "O Leitor"
Ron Howard, por "Frost/Nixon"
David Fincher, por "O Curioso Caso de Benjamin Button"
Gus Van Sant, por "Milk - A Voz da Igualdade"
Danny Boyle, por "Quem Quer Ser um Milionário?"
Melhor filme estrangeiro
"Departures" (partidas, em tradução livre), do Japão
"Revanche", da Áustria
"The Baader Meinhoff Complex" (o complexo de Baader Meinhoff), Alemanha
"Entre os Muros da Escola", França
"Valsa com Bashir", Israel
Melhor atriz
Anne Hathaway, por "O Casamento de Rachel"
Angelina Jolie, por "A Troca"
Melissa Leo, por "Rio Congelado"
Meryl Streep, por "Dúvida"
Kate Winslet, por "O Leitor"
Melhor ator
Sean Penn, por "Milk - A Voz da Igualdade"
Mickey Rourke, por "O Lutador"
Richard Jenkins, "The Visitor" (o visitante, em tradução livre)
Frank Langella, "Frost Nixon"
Brad Pitt, "O Curioso Caso de Benjamin Button"
Melhor ator coadjuvante
Josh Brolin, por "Milk - A Voz da Igualdade"
Robert Downey Jr, por "Trovão Tropical"
Philip Seymour Hoffman, por "Dúvida"
Heath Ledger, por "Batman - O Cavaleiro das Trevas"
Michael Shannon, por "Foi Apenas um Sonho"
Melhor atriz coadjuvante
Amy Adams, por "Dúvida"
Penélope Cruz, por "Vicky Cristina Barcelona"
Taraji P. Henson, por "O Curioso Caso de Benjamin Button"
Viola Davis, por "Dúvida"
Marisa Tomei, por "O Lutador"
Melhor roteiro original
"Na Mira do Chefe"
"Rio Congelado"
"Simplesmente Feliz"
"Milk - A Voz da Igualdade"
"Wall-E"
Melhor roteiro adaptado
"Quem Quer Ser um Milionário?"
"O Curioso Caso de Benjamin Button"
"Dúvida""Frost/Nixon"
"O Leitor"
Melhor filme de animação
"Wall-E"
"Bolt -Supercão"
"Kung-Fu Panda"
Melhor direção de arte
"A Troca"
"O Curioso Caso de Benjamin Button"
"Batman - O Cavaleiro das Trevas"
"A Duquesa"
"Foi Apenas um Sonho"
Melhor canção original
"Down to Earth", de "WALL-E", por Peter Gabriel and Thomas Newman
"Jai Ho", de "Quem Quer Ser um Milionário?", por A.R. Rahman and Gulzar
"O Saya", de "Quem Quer Ser um Milionário?", por A.R. Rahman and Maya Arulpragasam
Melhor trilha sonora
"O Curioso Caso de Benjamin Button"
"Defiance"
"Milk - A Voz da Igualdade"
"Quem Quer Ser um Milionário?"
"Wall-E"
Melhor edição de som
"Batman - O Cavaleiro das Trevas"
"Homem de Ferro"
"Quem Quer Ser um Milionário?"
"Wall-E"
"O Procurado"
Melhor mixagem de som
"O Curioso Caso de Benjamin Button"
"Batman - O Cavaleiro das Trevas"
"Quem Quer Ser um Milionário?"
"Wall-E"
"O Procurado"
Melhor efeito especial
"O Curioso Caso de Benjamin Button"
"Batman - O Cavaleiro das Trevas"
"Homem de Ferro"
Melhor curta-metragem
"Auf der Strecke (On the Line)"
"Manon on the Asphalt"
"New Boy"
"The Pig"
"Spielzeugland (Toyland)"
Melhor curta-metragem de animação
"La Maison en Petits Cubes"
"Lavatory - Lovestory""Oktapodi"
"Presto"
"This Way Up"
Melhor maquiagem
"O Curioso Caso de Benjamin Button"
"Batman - O Cavaleiro das Trevas"
"Hellboy 2 - O Exército Dourado"
Melhor edição
"O Curioso Caso de Benjamin Button"
"Batman - O Cavaleiro das Trevas"
"Frost Nixon"
"Milk - A Voz da Igualdade"
"Quem Quer Ser um Milionário?"
Melhor cinematografia
"A Troca"
"O Curioso Caso de Benjamin Button"
"Batman - O Cavaleiro das Trevas"
"O Leitor"
"Quem Quer Ser um Milionário?"
Melhor figurino
"Austrália"
"O Curioso Caso de Benjamin Button"
"A Duquesa"
"Milk - A Voz da Igualdade"
"Foi Apenas um Sonho"
Melhor documentário
"The Betrayal (Nerakhoon)"
"Encounters at the End of the World"
"The Garden,"
"Man on Wire"
"Trouble the Water"
Melhor documentário curta-metragem
"The Conscience of Nhem En"
"The Final Inch"
"Smile Pinki"
"The Witness - From the Balcony of Room 306" Foto wikipedia

Crise respinga na Microsof

A crise econômica internacional acaba de afetar a Microsoft. A gigante na criação de softwares anunciou que demitirá 5 mil funcionários em todo o mundo, o equivalente a 5% do total da folha de pagamento. Já a partir de hoje, pelo menos 1.400 pessoas já engrossariam as filas de desempregados. No balanço do último trimestre, a mãe do onipresente Windows registrou queda de 11% no lucro apurado. Na foto, o presidente da Microsoft, Steve Ballmer. Foto Paul Sakuma/AP

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Terna e Eterna

* Benedito Said

Yvonne Silveira é eterna. Terno foi o agradecimento que ela fez àqueles que lembraram do transcurso de seus 94 anos de amor, no final do ano passado. Mas deixou incrustado no texto uma ponta de medo diante da festa: “inesperada e grande alegria, que me deixou até medrosa, com o mau pensamento de que seria o último. Passou”. Montes Claros é que deveria tremer. Yvonne é flor que não se pode deixar de cheirar, pura sinestesia para se tocar. Yvonne é amor que não se deve deixar de amar. Yvonne é corpo de saber que se evoca para exemplificar aos jovens chegantes que o mundo tem um jeito nobre para seguir adiante. Ela é nobreza sem armas ou pó, antídoto contra as dilacerações das almas de escuridão impenetrável, local onde simulacros de seres cultivam o agouro da intemperança. Yvonne é modelo do seguir, da travessia, arquétipo de como absorver o que a vida não quer dar sem cultivar o rancor ou resignação dos que vão pelo caminho da dor. Ela transforma o ardor em dádivas prazerosas, espargindo do turíbulo ritualístico preso ao coração os ares melífluos de existência plena.

A primeira vez que Yvonne Silveira foi declamar um poema, por insistência do pai farmacêutico, ela era bem pequenininha. Ela havia queimado a mão ou perna com um ferro de brasa, quando a empregada da casa rodava o antigo utensílio ao vento para que ele ficasse pronto para passar roupa. Na hora da solenidade, alguém tocou na queimadura e as lágrimas vieram em público. Foi aplaudida do mesmo jeito. Nasceu professora, cresceu mestra. Fez história na educação primária em Brejo das Almas, para onde se mudou depois da falência do pai, que caiu jogando cartas. Saiu de Montes Claros que tinha até energia elétrica e foi mocinha para um templo movido a velas. Sem as vaidades comuns ao tempo atual, se embrenhou pelas lucarnas das casas sedentas de luz e se tornou o brilho próprio, tendo a Educação como estandarte, à frente e ao lado dos séquitos que lutam por um mundo sempre melhor. É gostoso tê-la como referência, alma nascente a ofuscar o pôr-do-sol porque nunca será poente.

Willian Young descreve Jesus como o membro da Trindade que é mais próximo dos homens. Alguém diz compreender que todas as estradas levam a Jesus, mas o Cristo responde, através de Young: “a maioria das estradas não leva a lugar nenhum. O que isso significa é que eu viajarei por qualquer estrada para encontrar vocês”. É a Jesus que recorremos para proteger nossa Yvonne e seja qual for a estrada por onde ela seguir, Ele vai encontrá-la para dois dedos de prosa, procurar detalhes sobre a Academia, saber como anda a literatura pós-moderna, se Olintho continua renovando votos de casamento e amor eternos, se tem saudade de Francisco Sá, o Brejo das Almas, ou da antiga Escola Normal e da Fafil, cujo casarão agora é reformado. Ao final, lerá, antes de dormir, um provérbio (10,22): “A bênção do Senhor é que enriquece; e não acrescenta dores”. Abençoada seja Yvonne. Eterna terna luz.

*Jornalista, articulista do Jornal de Notícias e diretor da Rádio Unimontes (101,1 FM)

Depois da euforia, a realidade

Passada a euforia com a posse do presidente Barack Obama, ontem, a fria realidade já se faz sentir aqui mesmo em Minas. A Fiat anunciou férias coletivas de 10 dias, a partir desta quarta-feira, para 800 funcionários de sua unidade em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte. O contingente, segundo a concessionária italiana, representa algo em torno de 5 ou 6% do total de 15 mil trabalhadores da fábrica. Apesar disso, a Fiat ainda nega qualquer estratégia que resulte em demissões. No dia 12, a General Motors mandou embora 744 empregados temporários da unidade de São José dos Campos, em São Paulo. Tudo efeito da crise econômica que varre o planeta desde setembro do ano passado.

A lendária GM, aliás, não esconde o desespero diante da recessão. A montadora norte-americana fez espécie de chantagem hoje com Obama. Ou a União libera parte do empréstimo de U$ 9,4 bilhões ou a General Motors fica sem dinheiro. Simultaneamente, a GM lamentou a perda da liderança mundial em vendas, em 2008, para a japonesa Toyota. É, a coisa tá preta... .

Os primeiros cem dias do governo Obama servirão de termômetro para que o mundo avalie a direção tomada. Ninguém em sã consciência espera milagre, mas o primeiro presidente negro da história dos EUA precisa agir rápido e de forma inteligente, pelo menos no sentido de garantir que os erros da desastrada gestão Bush não mais se repetam. Um sinal ocorreu logo no primeiro dia de Obama na condição de líder máximo do Tio Sam. Pediu, e foi acatado prontamente, a suspensão de 21 julgamentos de presos acusados de crimes de guerra e terrorismo, atualmente enclausurados em Guantânamo, base que os EUA mantêm em Cuba. Algo impensável na era Bush que, aliás, criou o monstrengo.

Guantânamo a um passo do fim

Uma das grandes vergonhas dos Estados Unidos na era Bush, a base criada em Cuba onde, constantemente, há denúncias de violação aos direitos humanos, suspendeu temporariamente 21 julgamentos de pessoas acusadas de crimes de guerra em cooperação com o terrorismo em curso. A prisão militar de Guantânamo - que fica na Baía de Guantânamo, por sua vez incrustrada na província homônima, em Cuba - ao que parece, tem os dias contados. É a primeiríssima decisão do presidente recém-empossado Barack Obama, que cumpre promessa feita durante a campanha. Novos tempos... . Foto AP

Os Kennedy

A família Kennedy atrai a atenção do mundo não só por sua atuação política, na grande maioria das vezes desenvolvida sob os auspícios das ideias liberais do Partido Democrata, mas também devido à tragédia que parece marcar a história do famoso clã. A seguir a lista de alguns Kennedy, que já morreram ou que permanecem vivos:

Joseph P. Kennedy
(1888-1969) e Rose Fitgerald Kennedy (1890-1995), patriarca e matriarca.
Joseph P. Kennedy Jr. (1915–1944), que morreu quando pilotava um bombardeiro na Segunda Guerra Mundial.
John Fitzgerald Kennedy (1917–1963), que foi assassinado com tiros na cabeça em Dallas.
Robert Francis Kennedy (1925–1968), que morreu assassinado por vários disparos no hotel Ambassador de Los Angeles, minutos depois de ganhar as eleições primárias da Califórnia.
Rosemary Kennedy (1918–2005), que nasceu com retardo mental, e, por isso submetida a uma lobotomia frontal, que, entretanto, acabou por incapacitá-la ainda mais. Passou grande parte da vida numa instituição para pessoas com deficiência. Morreu com 86 anos.
Kathleen Agnes Kennedy (1920–1948), que morreu num acidente aéreo. O avião em que seguia chocou contra os Alpes franceses quando ia visitar o seu irmão John.
Patricia Kennedy (1924-2006). Foi casada em 1954 com o ator Peter Lawford, de quem se separarou em 1966. Morreu aos 82 anos na sua casa de Nova Iorque.
Eunice Mary Kennedy (nascida em 1921) Continua viva. Fundadora de Special Olympics, movimento desportivo que busca a integração das pessoas com deficiência intelectual. Tinha o objetivo de apoiar sua irmã Rosemary a ter melhor qualidade de vida.
Jean Ann Kennedy (nascida em 1928). Continua viva.
Edward Kennedy (nascido em 1932). Atual patriarca do clã. Na foto, da wikipedia, John, Robert e Ted

Kennedy passa bem

O senador Edward Kennedy, de 76 anos, recupera-se de mal-estar sentido ontem, durante banquete em homenagem ao recém-empossado presidente do Estados Unidos, Barack Obama. Membro da lendária família do presidente John Fitgerald Kennedy, seu irmão, e um dos mais influentes políticos do Partido Democrata, ao qual pertence Obama, Ted enfrenta os dissabores de um câncer cerebral. As convulções iniciaram em seguida a Robert Byrd, de 91 anos, o mais velho representante do Senado norte-americano, ser retirado do local numa cadeira de rodas.

Ted é o atual patriarca do clã dos Kennedy. Seus três irmãos morreram tragicamente. O primogênito Joseph perdeu a vida em acidente de avião na 2ª Guerra Mundial. John e Robert foram assassinados, em 1963 e 1968, respectivamente. John-John, o filho caçula de John Kennedy, morreu quando mergulhava nas águas do Atlântico, em julho de 1999.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Tudo como dantes no quartel de Abrantes

Só para variar, os iranianos resolveram deixar claro que o recém-empossado presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, é quase, apenas quase unanimidade. No dia em que o primeiro negro da história norte-americana assumiu os destinos do país, manifestantes queimaram seu retrato, como já fizeram muitas e muitas vezes nos últimos anos. Eles reuniram-se em frente à antiga Embaixada dos EUA, em Teerã. O protesto foi contra Israel, EUA e Inglaterra. Em resumo, "tudo como dantes, no quartel de Abrantes", uma máxima surgida na época de Napoleão Bonaparte, no século 19, e que espelha bem o clima hostil que certamente ainda perdurará durante algum tempo no Oriente Médio contra o Ocidente. Um legado que o ex-presidente George W. Bush, que hoje passou o cargo para Obama, fez questão de piorar sensivelmente. Foto Associated Press

Do discurso um momento

Durante seu discurso de posse, o advogado Barack Obama teve vários momentos em que conseguiu tocar a emoção do público estimado em dois milhões de pessoas, presente nas proximidades do Capitólio (a sede do Congresso americano). Elegi um como o melhor deles, em minha opinião. Segundo Obama, a personalidade se forma a partir de como a pessoa enfrenta as dificuldade surgidas no decorrer da vida.

Obama: pluralidade e otimismo diante dos desafios

Num discurso que durou cerca de 20 minutos, o presidente recém-empossado dos Estados Unidos, Barack Obama, de 47 anos, em tom cordial, agradeceu seu antecessor pelo trabalho feito nos últimos oito anos, falou de crise econômica internacional, defendeu a pluralidade ao definir o país como local onde vivem pessoas de todas as religiões e raças e mandou um recado para os líderes mundiais que culpam o ocidente por todas as mazelas existentes: construir é mais importante que destruir. Estimulou os norte-americanos a enfrentar a recessão com coragem e determinação. Também decretou o fim das promessas não cumpridas e de dogmas políticos ultrapassados. Aí embutido evidentemente a nova ordem mundial da qual, acredita-se, Obama será peça-chave. Fica no ar, portanto, a sensação de fim de uma era e começo de outra. Um momento histórico.

Barack Obama assume o comando dos EUA direto do Capitólio, sede do Congresso americano, diante de aproximadamente dois milhões de pessoas, que o aclamam e aplaudem. Demonstram, assim, que acreditam nas ações do governo Obama para debelar os problemas contemporâneos, nos Estados Unidos e que sacodem o mundo de ponta-a-ponta. Foto Reuters

Bush vem pescar no Brasil?

Há a notícia extraoficial de que, em seu telefonema de agradecimento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bush filho tenha convidado o brasileiro a visitá-lo no Texas, onde morará assim que passar o governo a Obama. Honrado, Lula teria convidado Bush para pescar no Brasil. As más línguas comentam que, em véspera de eleições presidenciais, não seria nada popular para Lula receber um dos mais impopulares presidentes da história dos EUA. Verdade que toma corpo, se for levado em conta que a candidata preferida de Lula para sucedê-lo, a todo-poderosa ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ainda não decolou nas pesquisas. É uma desconhecida para o grosso da população.

Bush pai, Clinton e Carter, além de Kennedy

Não faz parte da tradição dos Estados Unidos convidar chefes de estado para participar de cerimônias de posse de seus presidentes. Os líderes são representados pelas respectivas embaixadas. Para os norte-americanos, trata-se de um evento doméstico, um costume herdado desde a indepedência das Treze Colônias Inglesas e que perdurou no decorrer do tempo. Mas quem assiste à posse, percebe a presença de muitas personalidades políticas locais. Os ex-presidentes George Bush pai, Bill Clinton e Jimmy Carter, além de Ted Kennedy, o segundo mais velho senador dos EUA (em fevereiro completa 77 anos) e membro da lendária família católica do presidente John Fitgerald Kennedy, seu irmão, que foi casado com a deslumbrante Jacqueline, depois senhora Onnassis, e amante da não menos exuberante Marylin Monroe, primeiro "sex simbol" do cinema - clã marcado pela tragédia, diga-se de passagem, com os assassinatos de John e Robert.

Responsabilidade monstruosa

Com 7º abaixo de zero, Barack Obama recebe oficialmente a Presidência dos Estados Unidos, direto do Capitólio (sede do Congresso americano), em Washington. Dois milhões de pessoas certamente oriundas dos cinco continentes ovacionam o primeiro chefe negro da nação yanque e, ao mesmo tempo, colocam o mundo sobre as costas dele. Uma responsabilidade monstruosa, que inclui a de debelar violenta crise econômica internacional, de imediato por meio da geração de emprego e renda internos, retirar as tropas do Iraque após cinco anos de invasão, reforçar as fronteiras do Afeganistão e restabelecer diálogo com inimigos históricos como países muçulmanos ou de linha esquerdista como Venezuela e Bolívia. Foto Reuters

Risco de atentado esconde Secretário de Defesa na posse de Obama

Ninguém sabe onde está o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates. Por motivo de segurança, ele ficará escondido durante a cerimônia oficial posse do presidente eleito, Barack Obama, hoje. Isso porque, em caso de atentado terrorista contra o democrata e todos os sucessores, entre eles o vice-presidente, Joe Biden, Gate assume a Presidência. Saiba mais aqui. Foto Charles Dharapak/AP

Obama e a Limousine da GM

A limousine preta da Cadilac que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, e sua esposa, Michelle Obama, usarão pelos próximos quatro anos foi um presente da General Motors. Orçado em U$ 1 milhão, o veículo é todo blindado, com capacidade de resistir a ataques inclusive à base de granadas. A intenção é que o carro acompanhe Obama também nas viagens internacionais. O avião presidencial possui compartimento especial para a limousine. Foi nela que primeiro casal norte-americano deixou a Igreja Episcopal St. John rumo à Casa Branca, onde os aguardava George W. Bush e sua esposa Laura. Estava previsto um chá para uma rápida conversa, antes da transmissão oficial do cargo. Bush teria escrito um bilhete a seu sucessor, cuidadosamente colocado sobre a escrivaninha do escritório que Obama utilizará na Casa Branca, desejando-lhe sorte, na certeza de que Obama redigiria uma bela página na história dos EUA.

Ao contrário do que ocorre no Brasil, nos Estados Unidos é impensável um presidente desfilar em carro aberto. Os motivos são óbvios. Alvo do ódio de muitos países, arraigado na gestão Bush e levado às últimas consequências após os ataques de 11 de setembro de 2001, o Tio Sam preocupa-se em demasia com a possibilidade de atentados. Tanto que, durante a cerimônia da posse, ora em curso, na capital Washington, não poderiam ser usados no local do evento carrinhos de bebê e guarda-chuvas, eventuais esconderijos para armas ou bombas. Foi montada segurança-monstro, com 11 mil homens a postos para qualquer tipo de urgência. São dois milhões de pessoas reunidas em Washington. Mas a comemoração da posse começou já no sábado e deve se estender até amanhã.

Esperança Obama

O mundo hoje entra em compasso de espera pelos resultados da era Obama. O primeiro presidente negro dos Estados Unidos assume o comando da maior potência mundial e, de quebra, leva consigo a esperança de praticamente todo o planeta. O trágico legado de oito anos seguidos da gestão George W. Bush não deixa espaço para saudades. Ele insuflou o ódio islâmico como ninguém, enfiou o país em duas guerras supostamente deflagradas para dar satisfação a cobranças de medidas contra o terrorismo e que consomem bilhões de dólares anuais, destroçou os ideais de liberdade e igualdade que sempre permearam a sociedade americana ao oficializar o centro de torturas que responde pelo nome de Guantânamo e sucumbiu a uma das piores crises econômicas internacionais de que se tem notícia. Resultado: o advogado Barack Hussein Obama, de 47 anos, herda uma nação submersa em profunda recessão e alvo do ódio de muitos povos. Não é de se admirar, portanto, que Bush amargue um dos piores índices de rejeição da história dos EUA e alce seu substituto à rara condição de quase unanimidade. Foto dmiblog

Curso superior para político

Basta assistir às reuniões da Câmara Municipal de Montes Claros para notar a falta que faz uma lei que exija curso superior, de preferência de áreas afins à política - como Direito e Ciência Sociais, por exemplo -, para candidatos a cargos eletivos no Brasil. Não é que conhecimento ou diploma seja garantia contra corrupção ou gafes linguísticas, mas que o nível dos representantes do povo melhoraria, ah! isso melhoraria.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Extremos odiosos

Interessante observar os extremos a que se deixaram levar blogs e articulistas políticos em suas colunas locais impressas. Enquanto uns derramam-se em elogios - leia-se puxa-saquismo mesmo dado à falta de cabimento de tanta rasgação de seda - ao atual grupo político que ocupa a Prefeitura de Montes Claros, outros caíram na armadilha da crítica pela crítica ao tentar ridicularizar a administração anterior. No caso desses últimos, o resultado é algo que começou até engraçado, mas descambou para o humor sem graça ou qualquer criatividade, direcionado a difamar ou caluniar pessoas por um prazer mórbido. Há ainda aqueles que não se cansam de chorar o leite derramado, uma atitude que também cansa porque segue a tendência de santificar uns e demonizar outros. No meio disso tudo está o pobre do internauta, o pobre do leitor... .

"O curioso caso de Benjamin Button"

Trailer do recém-lançado filme "O curioso caso de Benjamin Button". Aclamado pela crítica, a produção de David Fincher narra a inusitada história de um homem que nasce aos 80 anos e, à medida que o tempo passa, revevensce. Mais do que uma obra de ficção, baseada no livro homônimo de F. Scott Fitzgerald, parece que a intenção da película é descrever a luta inglória que o ser humano sempre trava com o tempo. Daí a conclusão trágica de que, seja na velhice senil ou na infância débil, o tempo a tudo vence de forma inexorável. Alheio à desilusão, entretanto, o alento da arte que, em O curioso caso..., traz como pano de fundo a história cheia de rugas e caduca - observadas nas duas guerras mundiais que destroçaram países e corações - a renascer no encanto das baladas do Beatles. A crítica considerou-o melhor que o festejado Forrest Gump, também um sutil desdém para com o tempo, só que, se comparado ao resultado do trabalho de Fincher, soa lamentavelmente um tanto superficial. Vale a pena não só ir ao cinema, mas locar ou mesmo comprar o DVD. No elenco o ótimo Brad Pitt, acompanhado de Cate Blanchett, Kimberly Scott, Jason Flemyng, Taraji Henson, Elle Fanning, Mahershalalhashbaz Ali, Emma Degerstedt.