O Carnaval é uma festa bonita. Tempo propício para brincar, espairecer. Pular, ironizar e debochar da vida. Não há nada de mal nisso, desde que a oportunidade seja bem aproveitada. É verdade que o reinado de Momo já foi mais convidativo. Quando, por exemplo, ressoavam nos salões e nas ruas as lendárias marchinhas, com histórias pitorescas que, de tão simples e fácil percepção, literalmente caíam na boca do povo. Quem não sente vontade de arriscar uns passinhos ao ouvir "ô abre alas/ que eu quero passar/ ô abre alas/ que eu quero passar" ou "você pensa que cachaça é água/ cachaça não é água não/ cachaça vem do alambique/ e água vem do ribeirão" ou "ó jardineira por que estais tão triste?/ mas o que foi que te aconteceu/ foi a camélia que caiu do galho/ deu dois suspiros/e depois morreu" ou, ainda, "mamãe eu quero/ mamãe eu quero/ mamãe eu quero mamar". Ah! São tantas que o espaço fica pequeno para comportar.
Sinceramente, bem fizeram as cidades históricas de Minas, que proibiram a música baiana no folia de 2009. Pelo que se propagou aos quatro ventos, ali só há lugar para as antigas marchinhas. É isso aí... "chegou a turma do funil/ todo mundo bebe/ mas ninguém dorme no ponto/ ai, ai/ninguém dorme no ponto/ nós é que bebemos/ e eles que ficam tonto/ chegou..."
Bom Carnaval a todos... . E viva a alegria... a ironia... o deboche... . Pelo menos durante quatro dias, mande a tristeza embora e caia na folia... .
Ainda não li a mais recente edição da revista Veja. Acho, entretanto, que nem precisa... . Que novidade pode ter uma reportagem sobre corrupção, que entranhou-se no Brasil de tal forma que, arrisco dizer, gestou uma cultura medonha e sinistra.
Chega ser constrangedora, para não dizer nojenta, a maneira como a política é conduzida no Brasil. A falta de ideologia partidária dá margem para que interesses puramente frutos da vaidade pessoal tomem à frente da preocupação sincera com os problemas que afligem a população. Daí o resultado esdrúxulo que se observa a partir da dança das siglas - que nada lembram de agremiações políticas -, na verdade meros penduricalhos num universo destituído de qualquer desejo que busque a melhoria da qualidade de vida no país.
"Há algo de podre no reino da Dinamarca". A famosa frase que o dramaturgo William Shakespeare imortalizou na peça "Hammlet" adequa-se perfeitamente ao imbróglio criado em torno da advogada brasileira Paula Oliveira, de 26 anos e que há quase dois mora na Suíça. Ela passou em concurso para trabalhar numa empresa de trem. A versão da brasileira dá conta de que foi agredida por três supostos skinheads (neonazistas) numa estação ferroviária da cidade de Dubendorf, com chutes e cortes de estilete no corpo. Em consequência da selvageria, Paula teria feito aborto no banheiro do local. Argumenta que estava grávida de gêmeos. O episódio, que seria mais um atentado racista contra estrangeiros, caiu feito bomba no Brasil, prestes a enfrentar crise diplomática com a Suíça.
Se o técnico Emerson Leão não colocar o time do Atlético nos eixos, para deixá-lo em condições de pelo menos manter a escrita de que Minas possui dois grandes clubes, não demora e o estado terá apenas o Cruzeiro na galeria de ouro do futebol nacional. Do jeito que o Campeonato Mineiro vai, sem adversários à altura da Raposa, o caneco não sairá da Toca tão cedo. O certame estadual, então, não servirá de base para absolutamente nada. Um evento quase que dispensável no que diz respeito à qualidade dos participantes. Daí que, mesmo depois de vencer, vencer e vencer no e o campeonato - por muitos classificado de rural -, o Cruzeiro não poderá estar seguro quanto à qualidade de seu elenco para disputar, por exemplo, grandes torneios como Copa Libertadores da América, Brasileirão e Copa do Brasil.