sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Viva a alegria!

O Carnaval é uma festa bonita. Tempo propício para brincar, espairecer. Pular, ironizar e debochar da vida. Não há nada de mal nisso, desde que a oportunidade seja bem aproveitada. É verdade que o reinado de Momo já foi mais convidativo. Quando, por exemplo, ressoavam nos salões e nas ruas as lendárias marchinhas, com histórias pitorescas que, de tão simples e fácil percepção, literalmente caíam na boca do povo. Quem não sente vontade de arriscar uns passinhos ao ouvir "ô abre alas/ que eu quero passar/ ô abre alas/ que eu quero passar" ou "você pensa que cachaça é água/ cachaça não é água não/ cachaça vem do alambique/ e água vem do ribeirão" ou "ó jardineira por que estais tão triste?/ mas o que foi que te aconteceu/ foi a camélia que caiu do galho/ deu dois suspiros/e depois morreu" ou, ainda, "mamãe eu quero/ mamãe eu quero/ mamãe eu quero mamar". Ah! São tantas que o espaço fica pequeno para comportar.

Sinceramente, bem fizeram as cidades históricas de Minas, que proibiram a música baiana no folia de 2009. Pelo que se propagou aos quatro ventos, ali só há lugar para as antigas marchinhas. É isso aí... "chegou a turma do funil/ todo mundo bebe/ mas ninguém dorme no ponto/ ai, ai/ninguém dorme no ponto/ nós é que bebemos/ e eles que ficam tonto/ chegou..."

Bom Carnaval a todos... . E viva a alegria... a ironia... o deboche... . Pelo menos durante quatro dias, mande a tristeza embora e caia na folia... .

Mais corrupção: que novidade!

Ainda não li a mais recente edição da revista Veja. Acho, entretanto, que nem precisa... . Que novidade pode ter uma reportagem sobre corrupção, que entranhou-se no Brasil de tal forma que, arrisco dizer, gestou uma cultura medonha e sinistra.

Certa feita, um amigo contou-me que um primo seu foi passear numa cidade dos Estados Unidos, onde alugou um carro. Dirigia tranquilamente no momento em que foi multado. Pagou o valor correspondente na hora (lá é assim) e continuou o trajeto. Pois bem. Essa pessoa retornou ao Brasil e nem se lembrava do episódio, quando, surpreso, recebeu notificação do órgão de trânsito que o penalizara. O documento trouxe um pedido de desculpas, os meios necessários para reembolso do dinheiro com que o primo do meu amigo pagara a multa e, pasmem, a abertura de brecha para que ele, caso fosse de seu interesse, entrasse na justiça contra o erro.

É isso aí. Ponto final.

Senado entra em recesso sem votar um projeto sequer

E mais uma pérola da política nacional entra para o rol de absurdos que, de tantos, não espanta a mais ninguém. Os senhores senadores da República, segundo a Folha On Line, não votaram um projeto sequer neste mês de fevereiro, mas não terão um tostão do megassalario de R$ 16,5 mil e tampouco da verba indenizatória de R$ 15 mil. O detalhe é que os digníssimos só retornarão ao trabalho no dia 3 de março. A debandada começou quarta e quinta-feira.

Honestidade publicizada: ridículo

O cúmulo do ridículo é a Câmara dos Deputados anunciar que, a partir de agora, não só divulgará os gastos dos parlamentares como os deixará disponíveis na internet. Ora, num país menos corroído pela falta de vergonha da corrupção política, uma publicidade em torno de medida desse quilate seria motivo de piada ou até mesmo punida pela desfaçatez de alardear algo que não passaria de mera obrigação.

Mas no Brasil, não. A imprensa aceita o engodo e dá a notícia em recheadas manchetes de página interna. Como se aquele braço do Congresso Nacional não fizesse o mínimo que se espera de uma casa legislativa.

A propósito, a revista Veja publicou, salvo engano em sua edição passada, matéria sobre como a corrupção afeta o desempenho escolar dos alunos da rede pública. São notas de compra de merenda que até hoje não chegou à mesa dos estudantes, falta de cursos de aperfeiçoamento de professores, na maioria das vezes vítimas de um salário vergonhoso de tão pequeno, entre muitas outras situações. Isso tudo contribui para que os pequenos cresçam numa atmosfera sinistra onde estudar, ser honesto e trabalhar com seriedade não dá futuro para ninguém.

Pobre do Brasil, que, sinceramente, merecia políticos melhores... .

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Imprensa suíça confirma farsa de brasileira

A advogada Paula Oliveira, de 26 anos, quase conseguiu a façanha de alinhavar uma crise diplomática entre Brasil e Suíça. Ao que tudo indica, à custa de uma farsa montada para ganhar dinheiro. Uma revista do país onde a brasileira mora há mais de dois anos divulgou que Paula assinara documento em que reconhece ter mentido sobre as supostas agressões de skinheads (neonazistas) numa estação do metrô, nas imediações da capital Zurique. O fato ocorrera no último dia 9. Na época, Paula Oliveira disse que estava grávida de gêmeos e que, devido ao ataque que culminara em cortes de estilete no corpo dela, teria perdido os filhos. Explica-se a versão bombástica da imprensa suíça. Lá, as vítimas de agressão recebem indenização de até 100 mil francos. Valor que poderia aumentar no caso de uma gravidez. A polícia suíça contesta a gravidez e aventa inclusive a possibilidade de automutilação.

Paula passou num dificílimo concurso numa empresa dinamarquesa, que atua na Suíça. É noiva e, a partir de depoimentos de amigos, possuía o hábito de inventar histórias para impressionar. Quem entende? Aparentemente tinha tudo para levar uma vida e tanto... mas dá sinais de possuir algum distúrbio.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Arte (?) constrangedora de fazer política

Chega ser constrangedora, para não dizer nojenta, a maneira como a política é conduzida no Brasil. A falta de ideologia partidária dá margem para que interesses puramente frutos da vaidade pessoal tomem à frente da preocupação sincera com os problemas que afligem a população. Daí o resultado esdrúxulo que se observa a partir da dança das siglas - que nada lembram de agremiações políticas -, na verdade meros penduricalhos num universo destituído de qualquer desejo que busque a melhoria da qualidade de vida no país.

Tanto é assim que até as análises políticas, feitas por aqueles que se consideram especialistas na coisa pública, costumam oficializar a vergonha ao concluírem que, de fato, em política ganha destaque quem consegue a façanha de levar na conversa maior número de correligionários. Melhor se a embromação convencer uma fatia da oposição. Nesse caso, o protagonista do show de enganação recebe afagos dignos de um rei. E que se dane - com o perdão do termo chulo - o contribuinte, o cidadão que, dia e noite, trabalha à exaustão para obter uma existência digna.

Pobre de nós que, mesmo alheios aos bastidores podres do poder, sentimos na pele a ausência monstruosa de uma forma de pensamento que faça o voto valer a pena. Porque, quando se conhece a linha ideológica de alguém, tem-se a chave da escolha consciente. Infelizmente, o Brasil está a quilômetros de distância de tal realidade. Foto imashak

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Verdade ou farsa

"Há algo de podre no reino da Dinamarca". A famosa frase que o dramaturgo William Shakespeare imortalizou na peça "Hammlet" adequa-se perfeitamente ao imbróglio criado em torno da advogada brasileira Paula Oliveira, de 26 anos e que há quase dois mora na Suíça. Ela passou em concurso para trabalhar numa empresa de trem. A versão da brasileira dá conta de que foi agredida por três supostos skinheads (neonazistas) numa estação ferroviária da cidade de Dubendorf, com chutes e cortes de estilete no corpo. Em consequência da selvageria, Paula teria feito aborto no banheiro do local. Argumenta que estava grávida de gêmeos. O episódio, que seria mais um atentado racista contra estrangeiros, caiu feito bomba no Brasil, prestes a enfrentar crise diplomática com a Suíça.

Só que as autoridades suíças produziram outra bomba. Primeiro, disseram que a brasileira não estava grávida e, depois, que são fortes as evidências de automutilação. Deu duas uma. Ou a Suíça, nação conhecida pela isenção com que trata questões delicadas, na tentativa de mascarar fato vergonhoso, simplesmente montou uma farsa (o que, diga-se de passagem, é improvável); ou a advogada brasileira sofre de distúrbios mentais e mentiu sobre o ataque de que fora vítima. Relatos de amigos de longa data de Paula não se lembram de qualquer sinal desse tipo de anomalia na personalidade dela, enquanto especialista afirma que as marcas no corpo da advogada não são características de autoflagelação.

Aguardemos, pois, o desenrolar dos acontecimentos para emitir melhor juízo. Foto Reprodução/Arquivo pessoal

Quem entendeu a Globo?

Alguém entendeu o porquê de a Rede Globo Minas transmitir a partida entre Villa Nova e América, enquanto no Mineirão ocorria o clássico Cruzeiro e Atlético? Eis uma questão que nem Freud explica. A propósito, Villa e América empataram em1 a 1.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Cruzeiro sem adversários de peso

Se o técnico Emerson Leão não colocar o time do Atlético nos eixos, para deixá-lo em condições de pelo menos manter a escrita de que Minas possui dois grandes clubes, não demora e o estado terá apenas o Cruzeiro na galeria de ouro do futebol nacional. Do jeito que o Campeonato Mineiro vai, sem adversários à altura da Raposa, o caneco não sairá da Toca tão cedo. O certame estadual, então, não servirá de base para absolutamente nada. Um evento quase que dispensável no que diz respeito à qualidade dos participantes. Daí que, mesmo depois de vencer, vencer e vencer no e o campeonato - por muitos classificado de rural -, o Cruzeiro não poderá estar seguro quanto à qualidade de seu elenco para disputar, por exemplo, grandes torneios como Copa Libertadores da América, Brasileirão e Copa do Brasil.

Hoje à tarde, o Cruzeiro venceu o Atlético por 2 a 1, no primeiro clássico do ano no Mineirão. A última vez que o Galo bateu a Raposa foi há quase dois anos, na primeira partida da decisão do Mineiro de 2007, quando goleou os azuis por 4 a 0. É tempo demais na geladeira...

Como torcedora azul-celeste, claro que estou feliz. Como admiradora do bom futebol, entretanto, fica um vazio, um temor de que não tarda o dia em que a emoção, fruto dos belos lances que levam os craques da bola a lançarem o coração no bico da chuteira para alcançar a vitória, será somente uma lembrança em Minas. Uma doce lembrança. Nada mais. Foto Washington Alves/VIPCOMM