Não é à toa que a Igreja Católica costuma figurar entre as instituições de maior credibilidade do país em praticamente todas as pesquisas do gênero. Mais uma vez, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil marcou preciosos pontos na escolha do tema da Campanha da Fraternidade que, neste ano, diz respeito à segurança pública. Um assunto que certamente chama a atenção de grande parte da população, já habituada aos altíssimos índices de criminalidade registrados no dia-a-dia da nação.
Montes Claros é um exemplo triste de tal realidade. Apenas nos dois primeiros meses de 2009, o município de quase 400 mil habitantes, considerado a capital do Norte de Minas, computou 14 assassinatos, dos quais espantosos 12 no curtíssimo fevereiro. A maioria dos crimes, conforme a polícia, tem ligação com o tráfico e consumo de drogas. Quem não se recorda da morte horrível do garotinho Sidney Júnior, raptado, seviciado e espancado até a última gota de vida. A ironia é que o algoz da criança, conhecido como "Dé", um rapaz aparentemente portador de distúrbio mental e usuário de droga, ao que tudo indica fora também vítima de uma sociedade desigual. Soube-se quando de sua prisão que, na infância, Dé alimentava-se junto com os porcos. Tudo isso choca e enoja. Mais. Deixa latente uma constatação inquietante. Não basta aprimorar o sistema carcerário e uma possível redução da maioridade penal somente agravará a situação, porque, sinceramente, lugar de criança e adolescente é na escola e não na prisão. Em vez de amenizar a situação, nasceria outro problema, a vergonha e o peso de encarcerar meninos infratores. Então, o que fazer?
Durante o lançamento da Campanha da Fraternidade, na Quarta-Feira de Cinzas, o Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, Dom José Alberto Moura, foi de uma sobriedade magnífica ao expor o drama. Há a urgência da criação de políticas públicas que garantam maior segurança para os brasileiros. Todo mundo concorda. Mas se essas ações governamentais não tiverem o amparo da e na sociedade, de nada adiantará. Dom José Alberto advertiu que, na verdade, a segurança deve começar nas famílias. "Famílias saudáveis e estruturadas", completou, são o antídoto contra "a violência moral e psicológica que grassa a sociedade atual". O Papa João Paulo II já alertava para o fato. "O futuro da humanidade passa pela família", sintetiva o pontífice. Noutras palavras, famílias ajustadas produzem cidadãos conscientes de seus deveres e responsabilidades. Vale a reflexão. Foto de minha autoria
Ainda a propósito do infeliz editorial da Folha de S. Paulo, que adjetiva os Anos de Chumbo como "ditabranda", na tentativa de amenizar seus efeitos sobre a sociedade, vale recordar o que fez o general Dwight Eisenhower, assim que se deparou com as vítimas dos campos de concentração, após o fim da 2ª Guerra Mundial (1939-1945). Ele ordenou que fosse tirado o maior número possível de fotos, além de convocar os alemães das cidades vizinhas até os locais onde milhões de judeus foram mortos em câmaras de gás e, inclusive, ajudasse a enterrar os corpos. "Que se tenha o máximo de documentação - façam filmes, gravem testemunhos - porque, em algum momento ao longo da história, algum idiota se vai erguer e dirá que isto nunca aconteceu", alertou Eisenhower. Hoje, no Reino Unido, não é permitido usar o termo holocausto, em respeito a muçulmanos, que garantem que o genocídio nunca existiu.