A mídia alardeou (comemorou - sic) aos quatro ventos a queda registrada na aprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme dados recentes dos institutos DataFolha e do CNI/Ibope. Na esteira da verdadeira celebração conjunta - que, por si só, já constata o péssimo nível de pessoas que ocupam cargos eletivos no país - entre setores ortodoxos da imprensa e oposição, o Brasil, de fato, ficou em segundo plano.
Senão vejamos. Se a popularidade de Lula e sua administração caiu é porque os efeitos da crise econômica mundial agora são mais visíveis na Terra de Santa Cruz. Isso quer dizer sobretudo que o desemprego deixou de ser fantasma para assumir massa corpórea. O círculo vicioso finalmente produziu resultados infelizmente - felizmente para os adversários de Lula -palpáveis: o medo de ficar sem trabalho causou retração no consumo, que tirou dinheiro de circulação, que diminuiu o volume de vendas no varejo e no atacado, que gerou acordos para diminuir salários, que finalmente desembocou no desemprego, que casou retração no consumo...
O que deveria ser motivo de prudência e união de forças em prol do bem comum foi rebaixado à condição de mera picuinha partidária. Claro, pois as eleições estão aí e batem à porta, não é mesmo? Nada disso, entretanto, causa espanto, visto que, na verdade, a política nas três esferas de poder não passa de jogo rasteiro que visa, na esmagadora maioria das vezes, a interesses particulares. Tornou-se brecha para o oportunismo.
Mas olhe lá que, apesar do sinal de alerta, os brasileiros continuam a confiar, e muito, no presidente Lula. Segundo o Ibope, a popularidade de seu governo caiu de 84% em dezembro para 78% neste último levantamento. Outros 19% desaprovam a maneira de o petista governar e 3% não opinaram sobre o assunto. Já o DataFolha aponta queda de 70% para 65%.
Por outro lado, a candidata de Lula ao Palácio do Planalto, a todo-poderosa ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, apresenta crescimento nas pesquisas. Um aumento lento, é forçoso reconhecer - de 1 a 2% ao mês. Mas para quem sequer era conhecida no meio poluído da política nacional, seu desempenho até que não figura entre os piores e dá esperança aos cidadãos que torcem para que a linha de governo de Lula permaneça, após 2010.
Tragédia será colocar um José Serra, atual governador de São Paulo e provavelmente candidato do PSDB, por exemplo, no cargo de mandatário máximo do país. Um despropósito. Foto pontodvista
Eu costumava gabar-me de ser fiel eleitora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de torcer por algo que o legitimasse a disputar um eventual terceiro mandato. De uns tempos para cá, entretanto, estou em vias de chegar à conclusão que esse meu desejo de que Lula continui no comando do país nada mais é do que o reflexo nu e cru do cenário desolador da política, incapaz de produzir novos mensageiros de esperança. Após dois mandatos consecutivos, o petista não encontra quem lhe faça sombra. Que o digam as pesquisas de opinião onde Lula esbanja aprovação popular: mais de 80%. Seus adversários esbravejam aos quatro ventos. Tacham-no de demagogo. Apedrejam os programas complementares de renda, sob argumento de que foram reaproveitados da gestão de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. E daí? Só porque houve alguém com coragem suficiente para investir sério no sentido de reduzir os índices altíssimos de pobreza, de facilitar o acesso dos jovens às universidades e de melhorar a infraestrutura de locais distantes - roça mesmo - com luz e outros benefícios que, espantosamente, em pleno século XXI, ainda faltavam em boa parte do Brasil?