quarta-feira, 8 de abril de 2009

Casa de Mãe Joana

Deu no Bom dia Brasil, telejornal da Rede Globo, agora de manhã. O Senado traz à tona lembranças do tempo negro da ditadura militar e dificulta o acesso de jornalistas a informações que, a rigor, deveriam ser públicas. Tudo devido à série de escândalos que abala a credibilidade da Casa desde que José Sarney saiu das sombras e foi eleito seu presidente. A principal irregularidade foi a descoberta de 181 diretorias do Senado, mais que o dobro da quantidade de senadores, que não passa de 81. Cada um desses diretores, além dos salários, ganhava gratificação mensal de R$ 2.400, a um custo de R$ 1 milhão por mês aos cofres do Senado. Mas há outras que transformam esse braço do Congresso Nacional em verdadeira Casa da Mãe Joana. É pagamento de horas extras em mês de férias; filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, apesar de remunerada, não comparece ao trabalho por causa da "bagunça" do local; senadores com direito a até uma passagem aérea diária e por aí vai.

Na verdade, o Brasil vive uma violenta crise moral. Política virou sinônimo de degradação, em todos os sentidos.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Passado de Dilma mais acrescenta que diminui

É sabido que o Brasil padece de lapsos de memória de quando em vez. Que esse detalhe praticamente incapacita a população de cultivar o senso crítico. Claro, pois quem não conhece o passado, não respeita o presente e tampouco há de se precaver para que erros cometidos jamais voltem a ocorrer. Num contexto assim e ainda sob o constrangimento de ter cunhado o termo "ditabranda" - para designar o fraco impacto dos 20 Anos de Chumbo no país -, a Folha de S. Paulo veiculou matéria, salvo engano em sua edição de domingo último, sobre a suposta participação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, possível candidata à Presidência da República, com apoio explícito de Luiz Inácio Lula da Silva, atual ocupante do cargo, nos planos de sequestro do então ministro da Fazenda Delfim Neto, durante a ditadura militar. A ação teria sido arquitetada em 1969 pela Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), que surgiu da fusão Comando de Libertação Nacional (Colina) com a Vanguarda Popular Revolucionária, do ex-militar e guerrilheiro Carlos Lamarca. A intenção evidente certamente é minar a candidatura nascente, e ascendente, de Dilma.

Visitei o blog Cloaca News e ali encontrei um post interessante sobre o assunto, assinado por ninguém menos que Antônio Roberto Espinosa, que também fez parte da VAR-Palmares. "Esclareço que Dilma pertencia, sim, à VAR-Palmares, e era uma militante séria, corajosa e humana, mas que era uma militante somente com ação política, ou seja, sem envolvimento em empreendimentos armados. E digo isto com a autoridade de quem era o responsável pelo setor militar da organização, assumindo a responsabilidade política e moral pelas iniciativas da VAR-Palmares. Por isso, desafio a Folha a esclarecer todos os pontos nebulosos da matéria do domingo e a publicar a íntegra da entrevista, de mais de três horas, para que os leitores a comparem com a imundície publicada, que constitui um dos momentos mais tristes da liberdade de imprensa e uma vergonha para a imprensa brasileira."

A presença de Dilma Rousseff num grupo de resistência à linha-dura militar mais acrescenta do que diminui em seu currículo. Prova de que se trata de uma mulher de fibra, batalhadora e que não se curvou diante do regime dos generais. Ouvi dizer que, em sua curta passagem por Montes Claros, na segunda-feira, para participar da reunião da Sudene e da inauguração da Usina de Biodiesel, sempre na companhia do presidente Lula, alguns dos presentes chegaram a mencionar maldosamente a reportagem da Folha. Não duvido que a ideia tenha partido de políticos que, de política mesmo - aquela prática que se sutenta no bem comum -, não sabem absolutamente nada porque visam exclusivamente ao interesse próprio. De fato, assim fica difícil, quase impossível, entender um tempo em que as liberdades individuais foram exterminadas e a vida dos que se opunham à força da baioneta não valia nada... . Foto Sara Santiago

O arcebispo e o presidente

O Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, Dom José Alberto Moura, de 65 anos, participou do encerramento da reunião da Sudene, ontem, no Portal dos Eventos. Ele conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Não se sabe o conteúdo do diálogo, mas hoje de manhã, logo após entrevista que concedeu ao jornalista Benedito Said, nos estúdios da Rádio Unimontes, Dom José Alberto teceu algumas considerações sobre o governo Lula. Disse ser louvável a implantação de programas complementares de renda para os mais carentes, como o Bolsa-Família, por exemplo, mas alertou que só isso não basta. É preciso que haja maior esforço no sentido de proporcionar a essas pessoas oportunidade de ganhar o sustento de cada dia. O Arcebispo lamentou que, em muitos lugares onde a iniciativa alcança, os beneficiários já não trabalham, à espera do auxílio financeiro. Para melhorar a situação, aponta a necessidade de se buscar alternativas eficazes como a adoção de uma política agrária justa, que pelo menos reduza a concentração de terras nas mãos de poucos e estimule a permanência do homem no campo.

Dom José Alberto ainda comentou a respeito do ensino religioso nas escolas públicas. Lembrou a existência de um projeto - do qual ele próprio foi um dos colaboradores - que organizaria o setor em Minas e que, infelizmente, tem encontrado dificuldades para ser encampado. Dom José Alberto recorda que o assunto consta em tratado internacional (concordata) celebrado via diplomática entre a Santa Sé e o Estado brasileiro. A finalidade do acordo é assegurar os direitos dos católicos ou da Igreja em determinada nação. Aproveitou para advertir acerca de uma tendência contemporânea que confunde laicismo com estado laico. Ora, estado laico é o governo não assumir nenhuma religião oficial, mas oferecer a liberdade de culto, ou seja, o mesmo espaço para todas as crenças, enquanto que laicismo impõe um forma de pensar que elimina a presença de Deus das ações desenvolvidas em prol do bem comum. Noutras palavras, institucionaliza o ateísmo que, no fundo, também pode ser considerada uma crença.

Por fim, o Arcebispo de Montes Claros revelou ter testemunhado a popularidade do atual presidente do Brasil no exterior. Quando esteve recentemente em Quito, capital do Equador, percebeu o entusiasmo em torno da pessoa de Lula. Elogios do tipo "ah! vocês estão com um presidente ótimo, não é?", segundo Dom José Alberto, é corriqueiro ouvir. "Eu estive lá para sondar as coisas para a Seleção Brasileira, mas parece que não adiantou muito não", brincou, numa alusão à apresentação sofrível do time do técnico Dunga, que, apesar do empate em 1 a 1, escapou de levar uma goleada histórica. O vexame foi evitado graças à boa atuação do goleiro Júlio César, uma barreira humana, na partida válida pelas eliminatórias sul-americanas da Copa do Mundo de 2010. Brincadeiras à parte, o objetivo da visita de Dom José, atual presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Diálogo Ecumênico e Inter-Religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e primeiro vice-presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, ao Equador foi participar de evento ecumênico. Fotos: Dom José (de minha autoria) Lula (Benedito Said)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A ordem é apertar os cintos

Durante o discurso que fez por ocasião da inauguração da Usina de Biodiesel hoje, em Montes Claros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não usou de meias palavras. Disse que União, Estados e Municípios deverão aprender a conviver com a crise econômica que varre o planeta desde outubro do ano passado. O recado caiu feito luva no colo de prefeitos do Norte de Minas, que, segundo especulou a imprensa local durante vários dias, ameaçavam até boicotar Lula, caso não fossem recebidos em particular pelo presidente para pedirem providências no sentido de amenizar as perdas com a queda dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams) chegou a veicular nota na TV em que descreve a penúria a que as prefeituras da região ficaram sujeitas no atual contexto.

Lula foi claro e se utilizou de uma matemática simples para ilustrar o quadro. Disse que o fenômeno global desencadeou uma reação em cadeia. "Cai a arrecadação do Governo Federal, cai a arrecadação do Governo Estadual e cai a arrecadação das prefeituras", explicou o mandatário máximo da nação ao salientar que ministros, governadores e prefeitos deverão administrar melhor a distribuição dos recursos que lhes chegarem às mãos. Lula também reconheceu que a União tem penalizado ainda mais os municípios quando, para reativar a economia, desonera alguns produtos cuja arrecadação seria repassada para as prefeituras. Por outro lado, antecipou que, nesta semana, haverá reunião em Brasília para discutir e buscar soluções para o problema. Mas enquanto a situação não muda, todos deverão "apertar o cinto", concluiu o presidente que, apesar de tudo, demonstrou otimismo diante de governadores e outras autoridades presentes. "Ninguém vai morrer na seca como muitos municípios brasileiros já morreram durante tanto e tanto tempo", finalizou sob aplausos da plateia. Foto (editada) retirada do blog A Província