O Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, Dom José Alberto Moura, de 65 anos, participou do encerramento da reunião da Sudene, ontem, no Portal dos Eventos. Ele conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Não se sabe o conteúdo do diálogo, mas hoje de manhã, logo após entrevista que concedeu ao jornalista Benedito Said, nos estúdios da Rádio Unimontes, Dom José Alberto teceu algumas considerações sobre o governo Lula. Disse ser louvável a implantação de programas complementares de renda para os mais carentes, como o Bolsa-Família, por exemplo, mas alertou que só isso não basta. É preciso que haja maior esforço no sentido de proporcionar a essas pessoas oportunidade de ganhar o sustento de cada dia. O Arcebispo lamentou que, em muitos lugares onde a iniciativa alcança, os beneficiários já não trabalham, à espera do auxílio financeiro. Para melhorar a situação, aponta a necessidade de se buscar alternativas eficazes como a adoção de uma política agrária justa, que pelo menos reduza a concentração de terras nas mãos de poucos e estimule a permanência do homem no campo.
Dom José Alberto ainda comentou a respeito do ensino religioso nas escolas públicas. Lembrou a existência de um projeto - do qual ele próprio foi um dos colaboradores - que organizaria o setor em Minas e que, infelizmente, tem encontrado dificuldades para ser encampado. Dom José Alberto recorda que o assunto consta em tratado internacional (concordata) celebrado via diplomática entre a Santa Sé e o Estado brasileiro. A finalidade do acordo é assegurar os direitos dos católicos ou da Igreja em determinada nação. Aproveitou para advertir acerca de uma tendência contemporânea que confunde laicismo com estado laico. Ora, estado laico é o governo não assumir nenhuma religião oficial, mas oferecer a liberdade de culto, ou seja, o mesmo espaço para todas as crenças, enquanto que laicismo impõe um forma de pensar que elimina a presença de Deus das ações desenvolvidas em prol do bem comum. Noutras palavras, institucionaliza o ateísmo que, no fundo, também pode ser considerada uma crença.
Por fim, o Arcebispo de Montes Claros revelou ter testemunhado a popularidade do atual presidente do Brasil no exterior. Quando esteve recentemente em Quito, capital do Equador, percebeu o entusiasmo em torno da pessoa de Lula. Elogios do tipo "ah! vocês estão com um presidente ótimo, não é?", segundo Dom José Alberto, é corriqueiro ouvir. "Eu estive lá para sondar as coisas para a Seleção Brasileira, mas parece que não adiantou muito não", brincou, numa alusão à apresentação sofrível do time do técnico Dunga, que, apesar do empate em 1 a 1, escapou de levar uma goleada histórica. O vexame foi evitado graças à boa atuação do goleiro Júlio César, uma barreira humana, na partida válida pelas eliminatórias sul-americanas da Copa do Mundo de 2010. Brincadeiras à parte, o objetivo da visita de Dom José, atual presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Diálogo Ecumênico e Inter-Religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e primeiro vice-presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, ao Equador foi participar de evento ecumênico. Fotos: Dom José (de minha autoria) Lula (Benedito Said)