quinta-feira, 30 de abril de 2009

Legal, mas imoral

Um mínimo de dignidade pressupõe aceitar o erro, corrigi-lo e, mais importante, atuar de forma que o deslize não se repita, certo? Nem tanto. Pelo meno é o que se deduz da reação da Câmara Federal diante da enxurrada de denúncias sobre o mau uso do dinheiro público em passagens aéreas e telefones celulares corporativos. Agora, os digníssimos parlamentares querem direito de resposta, na TV. O encarregado da inglória tarefa deve ser o presidente da Casa, deputado Michel Temer. Uma coisa é certa. A peça merecerá atenção, nem que seja só para saber quais argumentos montarão a inusitada produção.

Mas sinais vindos daquele braço do Congresso Nacional apontam para que lado irá a defesa dos deputados. A velha máxima da legalidade da prática certamente fará parte da "resposta" parlamentar. Leia a seguir trecho de matéria divulgada no site Comunique-se. "“A cobertura é desleal”, disse o deputado Cândido Vaccarezza, líder do PT. Ele e outros líderes partidários se queixam do que chamam de generalização das denúncias pela imprensa. Vaccarezza diz que para a mídia todos participaram da farra das passagens. "As regras vigoravam havia 49 anos. Quem está corrigindo, graças à pressão popular, somos nós", defende." Alguém podia lembrar ao nobre deputado que o legal não justifica a imoralidade e, como ele mesmo reconheceu, as medidas que restringem o uso de bilhetes aéreos - indiscriminadamente distribuídos a parentes, amigos , artistas e até para bancar o transporte de clube de futebol - só foram levadas a efeito única e exclusivamente por causa da pressão da mídia e, por tabela, da opinião pública. Noutras palavras, algo que seria obrigação, mera formalidade de uma instituição pública ocorreu por pressão.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Cinismo puro 2

Os políticos do Brasil não levam em consideração a crise econômica mundial e tampouco a iminência de pandemia da gripe suína. A se supor pelas declarações de deputados, após a aprovação de restrições ao uso de passagens aéreas - agora teoricamente acessível apenas ao parlamentares e a assessores por eles credenciados -, a única coisa que importa são supostas despesas advindas do mandato, nada mais. Eles não enxergam que o salário mínimo não chega a R$ 500 e muito menos o bem comum. No meio vigora o interesse particular. Só isso.

Cinismo puro

O cinismo volta à tona no cenário político nacional. Não é que, após as lideranças partidárias da Câmara Federal aprovarem medidas restritivas ao uso de passagens aéreas na Casa, um deputado propagou na mídia a intenção de seus pares de, agora, discutir aumento salarial. Isso mesmo. Pouco antes de o presidente da Câmara, deputado Michel Temer, decidir que o assunto eram favas contadas e só faltava definir o meio pelo qual haveria sua oficialização, se pelo plenário, via líderes partidários ou, ainda, pela mesa diretora, os digníssimos parlamentares aventaram a possibilidade de elevar os ganhos, dos atuais R$ 16,5 mil para R$ 24 mil. Segundo o deputado José Aníbal, líder do PSDB, “resolvemos a questão das passagens e agora está tudo bem? Não está tudo bem. Existem condições para o exercício do mandato que precisam ser preservadas, e existe também uma necessidade de discutir o salário para ver se ele é compatível com os gastos que o parlamentar tem que fazer". Sem comentários.

Queimarei a língua de novo?

É o risco que corro. Mas vá lá. Apesar das boas atuações de Ronaldo no Corinthians, não vejo como ele pode retornar para a Seleção Brasileira. Acabo de passar pelo portal Globo.com e, surpresa, deparo-me com o resultado de enquete em que, segundo a notícia ali veiculada, 81% de 200 mil pessoas que supostamente votaram querem ver Nazário novamente com a camisa amarela. Penso que tudo não passa de pressão para, quem sabe, dar vigor ao combalido escrete canarinho. Na falta de ídolos naturais, fabricam-se craques nem que seja à custa de maquiar zumbis. Isso mesmo.

Ora, pouquíssimos segmentos da mídia e tampouco os torcedores levam em conta que o futebol brasileiro enfrenta grave crise há tempos e os campeonatos estaduais nem de longe lembram o espetáculo que costumavam representar. Que o diga o certame carioca. Daí que, um treino aqui, outro acolá devolveram a Ronaldo o gosto de jogar num momento particularmente penoso de sua carreira, regada a escândalos de toda ordem fora dos campos. Até lhe inspiraram toques de uma genialidade esquecida em algum lugar do passado. Tudo bem. Parabéns ao Corinthians recém-saído da segundona.

Agora, querer que Ronaldo faça parte do time que disputará a Copa de 2010 é demais. O delírio sobretudo dos meios de comunicação chega ao ponto de tocar a emoção da pátria de chuteiras com recordações do homem caridoso que, um dia, já foi Fenômeno. Pura estratégia de marketing, pois o Coringão é patrimônio nacional e, na condição de agregador da maior torcida do país, busca patrocínios milionários para se manter. Pelo amor de Deus, futebol para nós, brasileiros, simboliza paixão, o que, entretanto, não dá direito a ninguém de explorar o fato com sentimentalismo barato, tosco, como se a própria realidade pudesse ser desprezada. Ronaldo continua gordo, embora em ritmo forte de treinamento. Mas para a mídia ele está em forma. Foi o tom das matérias sobre a vitória do Timão em cima do Santos, na Vila Belmiro, por 3 a 1.

Seleção Brasileira é assunto sério e não pode, nem deve ser tratado ao bel prazer de interesses que não os do esporte das multidões. Com todo respeito a Ronaldo, na Seleção Brasileira não. Já basta a brincadeira de mau gosto que estão sendo os comandados do técnico Dunga nas eliminatórias. Uma das decisões mais acertadas em termos de Seleção foi a do então técnico Luiz Felipe Scolari que, em 2002, não cedeu um milímetro à birra de Romário e não o convocou. Na época, o Brasil sagrou-se pentacampeão mundial. O Baixinho não era tão insubstituível assim. E olha que o ex-craque ainda estava no auge. Foto Globo.com

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Queimei a língua

É. Ronaldo Nazário aparece hoje nos noticiários como se tivesse ressuscitado o velho Fenômeno, que o imortalizou nos campos de futebol por onde passou. Na vitória do Corinthians sobre o Santos, por 3 a 1, dois gols foram dele. Um já é considerado verdadeira pintura de tão bonito. Aquele feito de fora da pequena área, de cobertura. Confesso que não acreditava muito no sucesso da contratação dos paulistas. Também pudera. Ronaldo não está em forma como, aliás, acho que por forçação de barra mesmo, estampou a mídia em quase todo o mundo. Continua gordo e, ao que se analisou da partida na Vila Belmiro, Ronaldo fez os gols, só isso, sem grande movimentação no gramado. E precisa mais num bom jogo de futebol? Fica aqui o registro. Queimei a língua.

Eventual 3º mandato já tira o sono de muita gente

Colunista da Folha Online, Kennedy Alencar, em comentário sobre a doença da ministra-chefe da Casa Civil, faz algumas teorias sobre prováveis nomes que o PT teria para uma eventual substituição ao nome de Dilma Rousseff na sucessão presidencial. Ele menciona, inclusive, a alternativa de um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma opção que pode ganhar força, dado à popularidade expressiva do petista. Mas Alencar não leva em conta isso e simplesmente conclui que "a sociedade não aceita" e o presidente, ciente do fato, também não cogita a possibilidade. Gostaria de saber em que dados Kennedy Alencar baseia-se para afirmar que os brasileiros rejeitam um terceiro mandato para Lula. Ao que me consta, em praticamente todas as pesquisas espontâneas o nome do presidente aparece na frente na preferência do eleitor.

Penso que o Brasil agradeceria a oportunidade. Não só porque Lula comanda um governo voltado para o social - algo que o país não tinha há décadas -, mas sobretudo devido à falta de pessoas que pelo menos façam sombra ao que Lula representa. A mudança é salutar. No meu entender, entretanto, não existe esse candidato. Os que aí estão podem até fazer pose sem, contudo, deixar o estigma de representarem o que de mais atrasado existe em termos de política, ou seja, abandono da educação e saúde.

domingo, 26 de abril de 2009

O Brasil torce por Dilma

O mundo político nacional foi balançado com a notícia da doença da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata a candidata à Presidência da República. O PT e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva preferiram adotar a cautela. Devem manter-se em compasso de espera diante da evolução do tratamento do câncer linfático da ministra. Segundo avaliação médica, o diagnóstico precoce do mal oferece ao paciente chances de cura que chegam a 90% dos casos.

Pelo histórico de Dilma Rousseff, de 61 anos, que lutou bravamente contra a ditadura militar no Brasil (1964 a 1984), ela certamente não desanimará ante a dificuldade, afirmam pessoas que lhe são próximas. Na coletiva em que, dignamente, reconheceu estar doente, no último sábado, afirmou que conseguirá vencer as adversidades sem ter que reduzir sua jornada de trabalho. É o que o país deseja e torce para que ocorra. Afinal, Dilma Rousseff despontava como a novidade da campanha presidencial. Caso sua intenção de disputar o pleito em 2010 dê certo e saia vencedora nas urnas, Dilma será a primeira mulher a governar o Brasil. Além disso, trata-se da candidata de um presidente de popularidade inquestionável, apesar de pequena queda devido à crise econômica mundial. Sua vitória será a vitória do projeto de governo de Lula. Noutras palavras, representará a continuidade sobretudo das políticas sociais da atual administração federal. Foto UAE

Cruzeirão com a mão na Taça

O Cruzeiro fez uma partida belíssima contra o Atlético agora há pouco no Mineirão, em Belo Horizonte, onde repetiu o placar do ano passado. Goleou o arquirrival por 5 a 0 no primeiro jogo da decisão do Campeonato Mineiro e, no próximo domingo, pode perder por até quatro gols que, ainda assim, leva a taça para a Toca da Raposa. Quem não assistiu ao confronto e soube apenas o resultado pode cair na tentação de pensar que foi um jogo fácil. Ledo engano. O primeiro tempo começou com o Galo mais presente na pequena área azul. Até que Kléber recebeu um presente de Wagner de calcanhar e colocou a bola no canto direito do goleirão Júnior. Um golaço, uma pintura. A etapa inicial terminou em 1 a 0. No segundo tempo, sim, o Cruzeiro arrebentou, passeou em campo. Meteu quatro diante de um Atlético apático, que praticamente andava em campo. O juiz Paulo César fez uma arbitragem sem sobressaltos, apesar da expulsão de três jogadores: dois alvinegros e um celeste. Com essa vitória maiúscula, o time do técnico Adilson Batista completa dois anos sem perder para o Atlético. Foto do Portal UAI