sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Senhoras e Senhores, abram espaço para a diva da dramaturgia nacional

Hoje é um dia especial para a dramaturgia nacional. Afinal é a data em que nasceu Fernanda Montenegro, uma diva do teatro, do cinema e da TV brasileiros. Pouco antes de completar 80 anos, Arlete Pinheiro Esteves da Silva, seu nome de batismo, declara sem modéstia: "Não vamos ser hipócritas. Eu mereço tudo que eu ganhei. Sou boa no que faço".

É verdade. Não à toa, a única brasileira até hoje indicada ao Oscar de melhor atriz, uma das categorias mais importantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, pela análise do jornalista Renan Botelho, em matéria para o MSN, possui "um currículo único no país: 60 anos de teatro e TV, mais de 200 teleteatros, 56 peças, 20 novelas e 16 filmes. Além de acumular uma série de prêmios nacionais e internacionais como o Urso de Prata, do Festival de Cinema de Berlim".

Parabéns, Fernanda. O Brasil agradece pela sua existência!

Lula e sua "eleição plebiscitária"

Na visita que fez às obras de revitalização do rio São Francisco, que incluiu Buritizeiro, no Norte de Minas, e parte do Nordeste, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a cutucar a oposição. Disse que seria bom o governo centrar-se apenas num candidato, na chamada "eleição plebiscitária". No pensamento do chefe da nação, isso significa "nós contra eles". Entenda-se nós - Dilma - e eles - Serra.

Nada mais natural. Só um louco para querer ligar seu nome - no caso de Lula, com altíssima credibilidade e popularidade - a representantes de uma turma pra lá de retrógrada e sem graça. É bom mesmo delinear os campos, embora, no Brasil, a questão da ideologia soe um tanto fora da realidade. Veja o caso do próprio PT. Aliou-se ao PMDB, uma sigla com história, esfarelada no tempo, entretanto. PMDB é hoje símbolo da situação, seja ela quem for. No pleito presidencial, já se sabe que o partido terá membros em todos os blocos. De qualquer forma, Lula está correto, até para esclarecer melhor a população sobre seus "líderes". Muitos dos quais não merecem o adjetivo.

Cena em Melbourne lembra Sergei Eisenstein

Uma notícia que correu mundo hoje foi uma quase-tragédia. O fato aconteceu na cidade de Melbourne, Austrália, onde uma mãe que conversava tranquilamente com amigos, numa estação, não percebeu que o carrinho de seu bebê desprendera-se e descera rumo aos trilhos. A locomotiva que, por sorte, chegava já sob pressão dos freios, bateu no carrinho. O nenê. Bem, o pequeno teve apenas um galo na cabeça. Puro milagre.

Mas o episódio fez-me lembrar de uma cena antológica do cinema. Trata-se da escadaria de Odessa, magistralmente gravada pelo diretor russo Serguei Eisenstein para o não menos estupendo "O encouraçado Potemkin", de 1925, mas que relata uma histórica rebelião de marinheiros de um navio de guerra, deflagrada em 1905. A intenção era comemorar duas décadas da Revolução Russa.

O que se viu, entretanto, foi uma obra de arte ainda no cinema mudo, com cenas magníficas e tocantes como, por exemplo, a que teve lugar na escadaria de Odessa, uma cidade costeira ucraniana, onde, em meio ao tumulto da ação popular, uma mãe é assassinada e o carrinho com seu filho dentro desce degraus abaixo. Comove o desespero que o momento traz.

Em 1987, Brian de Palma lembrou a clássica cena no filme "Os intocáveis", com Kevin Costner. Numa estação, diante de um tiroteio, uma mãe perde o carrinho de bebê escada abaixo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Lula e seu devaneio gastronômico

É até engraçado como a grande mídia comporta-se numa seara tão árida quanto extensa como as eleições presidenciais no Brasil. Deixa-se enganar por supostos pré-candidatos que vivem a jogar para a plateia e que, até prova em contrário, almejam simplesmente a luz dos holofotes. Assim, quem sabe, conseguem ficar conhecidos da população e numa próxima empreitada teriam cacife para o embate. Não bastasse isso, macheteia o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na visita a obras de revitalização do rio São Francisco, que incluiu Buritizeiro, Norte de Minas, usar de "requintes" para pernoitar "num dos canteiros", em Pernambuco.

Foi pródiga em descrever a suspeita de devaneio gastronômico - digo suspeita porque, até aquele momento, não havia números que o comprovassem, donde se conclui que... - no local. De bufê francês a acomodações luxuosas. "Improvisou-se o “quarto” de Lula no escritório do engenheiro-chefe da obra. Coisa fina. Tapete azul, televisão, frigobar, banheiro privativo e cama ‘king size’. Exceto pelo tapete e pela TV, os convidados ilustres –ministros, governadores e empresários— dormiram em alojamentos dotados das mesmas facilidades", descreve o jornalista Josias de Souza, colunista da Folha Online.

Pois bem. Se a comitiva presidencial capitulasse ante a urgência de maior austeridade, a mídia certamente esbofetearia o ex-torneiro mecânico que, nesse caso, lançaria mão de falsa aparência de modéstia e até descaso quanto à segurança. Afinal, trata-se de um chefe de Estado.

O episódio lembra as críticas ferozes quando da chegada do papa ao país, tanto o saudoso João Paulo II como Bento XVI, atual ocupante da cátedra de Pedro. Horrorizara-se com a "pompa" vaticana. Mencionara a pobreza reinante no mundo, num contraste ao contexto apresentado por Roma. Ora, a mesma lógica vale para o Pontificado Romano. O Santo Padre é autoridade constituída, temporal e atemporal. Daí a necessidade de certos cuidados. Para uns, destempero gastronômico. Para outros, medidas corriqueiras, atinentes à função.

De qualquer maneira, tomo a liberdade de transcrever o post de Josias. Ao internauta a liberdade de julgar e absorver:

"Lula e seu séquito pernoitaram num dos canteiros da obra de transposição das águas do Rio São Francisco.

Ao contrário do que insinuara o marketing oficial, a ousadia não custou ao presidente a perda do apuro que vem junto com o cargo.

Antes da comitiva oficial, chegaram à obra o requinte e a sofisticação. Deve-se o relato à equipe de reportagem do 'Diário de Pernambuco'.

Para cuidar da comida, importou-se do Recife o bufê de um bistrô francês, o La Cuisine. Incluiu bebidas e canapés.

Os alimentos foram preparados por um time de nove cozinheiros e servidos por uma equipe de duas dezenas de garçons.

Improvisou-se o “quarto” de Lula no escritório do engenheiro-chefe da obra. Coisa fina. Tapete azul, televisão, frigobar, banheiro privativo e cama ‘king size’.

Exceto pelo tapete e pela TV, os convidados ilustres –ministros, governadores e empresários— dormiram em alojamentos dotados das mesmas facilidades.

Como o presidente foi à obra mais para ser visto do que para ver, reservaram-se cerca de 50 acomodações para jornalistas. Camas de solteiro.

Para a difusão de textos e imagens, o canteiro foi equipado com 14 laptops. Peças inusuais num ambiente em que máquinas pesadas evoluem sobre a lama.

Do lado de fora, o alojamento presidencial foi adornado com tapumes de fibra e painéis de lona. Para separar os sapatos do solo, brita. Muita brita.

Antes de enfiar-se sob as cobertas, Lula tivera um dia cheio. Passara por Pirapora e Buritizeiro, em Minas. Visitara Barra, na Bahia.

No final da tarde, voara para Arcoverde, em Pernambuco. Dali fora, de helicóptero, para o local onde está assentado o canteiro do primeiro pernoite.

O nome da localidade é sugestivo: Custódia. Entre as acepções anotadas no Aurélio, duas se encaixam como luva.

Segundo o dicionário, Custódia significa: A) Lugar onde se guarda alguma coisa com segurança; B) Objeto de ouro ou prata em que se expõe a hóstia consagrada.

Nesta quinta (15), Lula dará seguimento à “missa” do São Francisco. Ainda em Custódia, fará um pa©mício. Mais um.

O palco, montado de véspera, tem 40 m² –10mX4m. Orna-o uma frase: "Projeto São Francisco. Um rio melhor, um rio para todos".

Lula discursará para os operários. E para as câmeras, naturalmente. Depois, vai à Paraíba. Novo pa©lanque. Mais discurso.

No fim da tarde, a comitiva retorna a Pernambuco. Desce na cidade de Floresta. E vai ao canteiro do segundo pernoite. Na sexta (16), Lula volta para Brasília.

Não há, por ora, informações sobre o custo da aventura administrativo-eleitoral. De concreto, só a certeza de que a conta será espetada na bolsa da Viúva."

Foto; zildoposwar.blogspot.com

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Lula visita Buritizeiro e critica governantes "duas caras"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou hoje pelo Norte de Minas para vistoriar obra de saneamento básico para revitalização do rio São Francisco. Em Buritizeiro, segundo veiculou a Folha Online, Lula "criticou (...) a falta de empenho de ex-governantes em revitalizar o rio São Francisco. Lula visita (...), até sexta-feira, quatro Estados --Minas, Bahia, Pernambuco e Paraíba-- para inspecionar as obras do rio.

'Essa obra foi pensada em 1847. Quase 200 anos depois, não conseguiu andar, porque tivemos muitos governantes de duas caras, que prometiam fazer a obra em um Estado e não faziam', disse ele (...).

Lula afirmou que não é possível tirar água do São Francisco para matar a sede de 12 milhões de nordestinos sem antes recuperá-lo e citou ações como o reflorestamento para recuperar as matas ciliares e o tratamento de esgoto para evitar a contaminação do rio.

O presidente disse ainda que hoje seu governo se dá "ao luxo" de dar início a um projeto idealizado por D. Pedro 2º. O petista disse que no roteiro inicial da viagem não estava previsto "fazer comício", mas justificou ao dizer que quer "fazer uma sinalização para o Brasil e para o mundo".

Segundo Lula, pelo menos três pessoas já foram os responsáveis pelo projeto para "levar água para 12 milhões de brasileiros": o vice-presidente José Alencar, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e agora o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional).

Na segunda-feira, em seu programa de rádio "Café com o Presidente", ele afirmou que a obra é vital para o país. Na ocasião, disse que a obra custará mais de R$ 6 bilhões, e inclui recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

'Uma parte dela ficará pronta até 2010, outra parte ficará pronta até 2012. O dado concreto é que alguém tinha que fazer, e nós estamos fazendo. É uma obra muito importante e ela vai tornar as regiões brasileiras menos desiguais'", concluiu.

A presença de Lula no Norte de Minas é alvo de intensas críticas. Pelo fato de levar em sua comitiva a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o deputado federal Ciro Gomes, ambos pré-candidatos governistas à sucessão de Lula, acusam-no de iniciar precocemente a campanha eleitoral. Chegam ao ponto de afirmar que o PAC, uma das meninas dos olhos do presidente, foi criado para alavancar quem ele indicar para o cargo máximo do país.

De qualquer maneira, vale lembrar que Luiz Inácio Lula da Silva é hoje uma grande personalidade. Apesar das besteiras feitas pelo PT ao longo destes dois mandatos de seu ícone maior, Lula manteve-se incólume e qualquer político desejaria seu apoio. Ah, sim! Por favor, corrijam-me se estiver errada.

Foto: Ricardo Stuckert/PR/Divulgação

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Projeto Ficha Limpa: há deputados e senadores no meio do caminho

Li na edição de segunda-feira do jornal Estado de Minas notícia que confirma, e reafirma, a tendência do brasileiro de sentir nojo de política. Não é segredo para ninguém que o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral amealhou 1,3 milhão de assinaturas necessárias para apresentação no Congresso Nacional de projeto de lei de inciativa popular - o 2º da história do país; o 1º foi o que criminalizou a compra e venda do voto e o uso da máquina administrativa, a chamada Lei 9840 -, que torna inelegíveis candidatos condenados em 1ª instância na justiça.

Pois bem. Algo um tanto digno em se tratando de Brasil, onde a política virou foro privilegiado para pessoas de má índole que, na maioria das vezes, encaram o mandato conseguido nas urnas como emprego milionário ou trampolim para galgar cargos cada vez mais elevados na administração pública, descaradamente loteada. É a esperteza pela esperteza. Então, a legalização de procedimento que, em princípio, deveria automaticamente integrar a conjuntura política, sem necessidade de ser formalizada, até por questão de lógica, torna-se ponto imperioso e merecedor de efusivos elogios, aplausos.

Só que, como diria o poeta maior Carlos Drumond de Andrade: "há uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho há uma pedra". Segundo dados do instituto Transparência Brasil, nada menos que 1/3 dos parlamentares brasileiros enquadram-se tal qual luva na condição de "ficha suja", conforme o projeto de lei que já tramita no Congresso. A situação piora quando se tem por base apenas deputados federais e senadores. Deles, 40% chafurdam na lama.

Daí a pergunta que não quer calar. Será que os "nobres" (sic) representantes do povo votarão contra si mesmos? A resposta imediata é não, claro que não, vez que, nos últimos tempos, aquelas casas legislativas nem de longe recordam a missão em prol do bem comum que devem cumprir. Ao contrário. A impressão é que ali prevalecem os interesses toscos, particulares.

Felizmente, no Brasil ainda há a pressão popular que, muito bem, pode ser insuflada pela imprensa a cobrar do Congresso um resquício de bom senso, com a aprovação do projeto. Se assim for, certamente nas próximas eleições haverá um ar de limpeza no ambiente... .