quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Professores da rede estadual e movimentos sociais protestam contra corrupção


Manifestações de professores e de movimentos sociais marcaram a primeira reunião ordinária da Câmara Municipal desta terça-feira, 02/08, após o recesso legislativo.  Eram pouco mais de 7 horas da manhã quando dezenas de educadores da rede estadual e membros do Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral chegaram à Câmara. Lavaram a porta da Câmara em analogia ao que pretendem fazer com a corrupção. 
Com cartazes nas mãos, integrantes do movimento social pediam mais atenção do poder legislativo e do executivo para solucionar os problemas que a cidade vem enfrentando, como violência e falta de assistência à saúde. No mesmo espaço, educadores cobravam do executivo e do governador do estado, a aplicação da lei 11.738, que estabelece o piso nacional da educação.
Os manifestantes lavaram as escadarias da Câmara num ato simbólico pela transparência e comprometimento dos vereadores com a coisa pública 
A diretora de Comissão do Sindiute, Janete Soares, disse que 65% dos educadores da rede estadual em Montes Claros estão em greve e assim permanecerão até que o governo atenda as solicitações. 
- Estamos reivindicando o cumprimento da lei 11.738 do piso nacional da educação. O governador fala que paga através do subsídio, mas não paga. O subsídio que ele está pagando é a junção de todas as vantagens dos educadores, num único valor R$ 1.320,00 - argumenta.
Segundo Janete há professores que possuem trintenário, quinquênio, auxílio transporte, auxílio pó e todos esses benefícios totalizam os 1.320.
- Isso é uma injustiça. A lei prevê um vencimento, um teto. As vantagens e benefícios devem ser pagos separados. O que o governo fez foi equiparar os valores. Todos nós temos carreira e ela deve ser respeitada - desabafou. De acordo com a educadora, a lei foi votada em 6 de abril deste ano, portanto, o governo já está devendo dois meses de atraso.
SEM ÁGUA - Já Hailton José Ferreira Soares, presidente da Associação de Pederneiras, comunidade rural a 30 km de Montes Claros, disse que aguarda que os vereadores possam apresentar uma solução junto com a prefeitura para a única caixa d'água que abastece a comunidade.
- Desde o semestre passado que eu venho às reuniões da Câmara para solicitar que consertem a caixa d'água. Tem um buraco enorme, o que obriga os moradores a carregarem lata d'água na cabeça, quando encontram cisternas. Já tentamos resolver o problema também na Codevasf, mas até o momento nenhuma resposta positiva - informou.
SEM COMPROMISSO - Sônia Gomes, do Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral, disse que lavar as escadarias da Câmara Municipal na manhã de ontem, antes do início da reunião, foi um gesto simbólico.
- Com o retorno das reuniões vamos continuar chamando a atenção dos vereadores para que tomem consciência do papel deles. Eles não podem ficar omissos aos problemas da cidade. Acompanhamos o trabalho da Câmara e ela não tem tido uma postura de legisladores. Sofremos com a violência, com o lixo e com a falta de assistência à saúde. E o que vimos é darem prioridade ao vôlei, não que o time não seja importante para a cidade, mas eles têm que trabalhar com projetos que atendam a população - observa.
O presidente da Câmara de Vereadores, Valcir da Ademoc rebateu as críticas do Comitê de Combate à Corrupção e disse que no primeiro semestre os vereadores realizaram diversas audiências públicas e apresentaram projetos de lei que atendiam aos interesses da população.
- Além disso, os 15 vereadores estiveram em Neves, na última semana, observando um projeto social que existe lá para podermos implantar aqui em Montes Claros, no bairro Vilage do Lago - ressaltou.
O vereador diz não ser contrário ao movimento.
- Não se pode ter bandeira partidária dentro de movimentos como este, de combate a corrupção. Se isso ocorre, sai do objetivo que é de fiscalizar. Nós convidamos esses membros do movimento para, antes de julgar, participarem das reuniões e observar de perto o que tem sido feito - destacou.
O vereador Pastor Altemar ressaltou que as reivindicações dos educadores devem ser atendidas pelo governo, pois os professores têm papel importantíssimo na formação pessoal e profissional de cada criança e adulto.
- A arma para combater e diminuir a criminalidade e as drogas é apoiar a educação. A educação, aliada à moradia, saúde e ao trabalho, é fundamental para fecharmos todas as brechas para a violência - finalizou.
Fonte: Jornal O Norte de Minas

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